Nilton António Lopes Correia, 23 anos, é um jovem empreendedor conhecido na zona do Palmarejo, na cidade da Praia, pelo seu cuscuz inovador com sabores para todos os gostos. No cardápio é possível encontrar sabores como chocolate, coco, uva-passa, goiabada, morango, queijo, banana, entre outros.

O jovem natural de Calheta de São Miguel, revelou ao SAPO que aprendeu a fazer o cuscuz tradicional com a mãe e que depois da mudança para a cidade da Praia, há cinco anos, criou novos sabores.

“É algo que faço desde pequeno. Aprendi a fazer o cuscuz tradicional (trigo, milho e mandioca) com a minha mãe e depois inventei novos sabores. O cuscuz que faço hoje, a minha mãe não faz”, diz.

Nilton mudou-se para a capital do país para fazer uma formação superior na área de Engenharia Informática e de Computadores na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV). Está no terceiro ano do curso, mas trancou a matrícula e passou a dedicar-se ao cuscuz. “Parei de estudar porque reprovei e estava cansado. Mas pretendo regressar”.

De julho a dezembro de 2017, “Cuscuz”, como é carinhosamente conhecido, passou a vender cuscuz, juntamente com um amigo,  num quiosque na rua Pedonal do Palmarejo. Por falta de condições do quiosque e com o fim da parceria, o jovem passou a fazer o cuscuz em casa, mas diz que se encontrar um espaço apropriado, o negócio pode evoluir.

Além do cuscuz tradicional (trigo, milho e mandioca), Nilton usa sabores inovadores como coco, morango, uva-passa, chocolate, fécula de batata, pinhão, goiabada, banana, queijo, sal, linguiça, açúcar, canela, farinha de pão e integral.

“Sempre que invento um novo sabor, recebo elogios dos meus clientes. Dizem que o meu cuscuz é delicioso. Já experimentei fazer até cuscuz de cerveja para vender num festival, mas não funcionou”, diz entre risos.

Nilton acorda todos os dias às 04h00 da madrugada para preparar o cuscuz, às 6h00 arruma tudo num carrinho de mão e sai pelas ruas do bairro do Palmarejo a vender o cuscuz, que transformou-se na sua fonte de rendimento. Á tarde, vai às compras e dedica-se à limpeza dos instrumentos de trabalho e as encomendas. “Primo pela higiene e qualidade. Sou pobre, mas fino”, diz.

“No início,  vendia o cuscuz num cesto porque era pouca quantidade, depois tive de investir num carrinho de mão para transportar o cuscuz. Aos poucos, conquistei novos clientes”, salienta.

O jovem tem quatro “bindes” e por dia vende cerca de 105 fatias de cuscuz. Os preços variam dos 50 escudos, que é custo de uma fatia, aos 500$00 que é o preço de um cuscuz grande. “O preço varia consoante o tamanho e o sabor”, afirma.

Além de cuscuz, Nilton vende leite fresco e “dormido” oriundo da localidade de Monte Negro e Tira Chapéu. O preço também varia consoante o tamanho do recipiente. Garrafa de 0,33 ml é 50$00, ½ litro é 75$00 e 1 litro custa 150$00.

“Nos dias que tenho pouca quantidade de leite, não vendo só o leite, o cliente tem de levar no mínimo 3 fatias de cuscuz. Senão, fica difícil vender o restante cuscuz”, explica.

As encomendas de cuscuz são feitas através do seu Facebook pessoal ou de “Cuscuz di Mana”, uma página do jovem em homenagem à mãe Mariana Gomes Lopes, mais conhecida por “Mana”. “Recebo encomendas todos os dias da semana”, diz Nilton que pretende criar uma marca denominada “Cuscuz di Mana”.

Questionado se dá para viver do cuscuz, o jovem empreendedor diz que sim e afirma que mensalmente fatura cerca de 60 mil escudos.” Consigo pagar a renda de casa, compro os meus produtos de higiene e se estivesse na universidade conseguiria pagar os meus estudos”, diz orgulhoso do seu trabalho.

O Nilton é um cuscuzeiro de primeira, mas não é só cuscuz que sabe fazer na cozinha. “Cozinho todos os tipos de prato, desde o tradicional ao mais sofisticado. Na cozinha sinto-me seguro, não me preocupo com nada. Gostava de ter uma cozinha sofisticada para implementar mais coisas, como inovar no sabor dos bolos”.

O desejo de ser empreendedor sempre o acompanhou. Já foi vendedor de bijuteria e pretende fazer uma formação na área do empreendedorismo. “Sempre gostei da área de vendas”, afirma.