Em entrevista exclusiva à Inforpress, a propósito da situação epidemiológica das doenças e os desafios a nível da Saúde nesse município do interior de Santiago, a delegada de Saúde de Santa  Catarina, Elisângela Tavares, indicou que essas duas doenças crónicas têm afectado mais a população adulta, enquanto as doenças de pele as crianças.

De momento, em Santa Catarina, a mesma fonte revelou que o acidente vascular cerebral (AVC) é a primeira causa de morte, isto porque, explicou, o principal factor de risco dessa doença é a hipertensão arterial.

Como forma de prevenção dessas doenças, lembrou que a Delegacia de Saúde tem trabalhado na sensibilização, sobretudo a nível da alimentação, através da realização de várias campanhas com o intuito de alertar às pessoas, sobretudo os doentes crónicos para uma “alimentação saudável”, para o equilíbrio do uso do álcool e para a cessação tabágica.

“Temos estado a fazer uma campanha na luta contra diabetes, mas infelizmente estamos a ter muitos casos novos, anos após anos, e continuam como as primeiras causas de morbilidade em Santa Catarina”, lamentou a médica.

Ainda a nível da população adulta, fez saber que assim como tem estado a acontecer por todo o país, o cancro é a segunda causa de morte em Santa Catarina, que tem registado quase todo tipo de cancro (mama, colo do útero, próstata, intestino e estômago”, pelo que, assegurou, têm apostado na prevenção.

Relativamente às doenças que afectam as crianças sobretudo nessa época, apontou as de pele, tendo informado que, de momento, estão com um “quadro agudo” de diarreia, que à semelhança da gripe e febre tem levado um “grande número” de utentes ao Banco de Urgência da Delegacia de Saúde de Assomada.

Sobre a diarreia, Elisângela Tavares tranquilizou a população, assegurando que a mesma é viral e que se vê pelo estado das crianças, e que não têm tido “muitos casos de desidratação e nem óbito”.

“(…) Portanto, estamos a controlá-la, tanto a nível do Centro de Saúde e do hospital [Hospital Regional de Santiago Norte Santa Rita Vieira]”, precisou, admitindo, no entanto, que os recursos são parcos, mas que estão a “fazer de tudo na medida do possível”.

Tendo em conta que Santa Catarina é um dos concelhos onde as pessoas ainda vivem de reservas de água, prática que tem favorecido “muitos focos de mosquitos”, esta responsável apontou a luta anti-vectorial como um dos muitos desafios a serem vencidos nos “próximos tempos”.

Entretanto, lembrou que estão no terreno a sensibilizar as pessoas para taparem os recipientes de armazenamento de água e ainda para tomarem “mais atenção” com as águas residuais.

Referiu-se ainda a desafios a nível da própria estrutura e recursos humanos, tendo em conta que dão cobertura para 45 mil habitantes, tendo, por outro lado, informado que o Ministério da Saúde está a trabalhar para melhorar a situação, referindo-se à construção do novo Centro de Saúde de Santa Catarina.

Com a entrada em funcionamento no próximo ano do novo Centro de Saúde, que, no seu entender, vai reforçar o sistema da saúde, sobretudo a nível da prestação de cuidados, e que ainda vai permitir a contratação de mais médicos e enfermeiros, a delegada de Saúde não tem dúvidas que vão conseguir dar melhor resposta nesse sector em Santa Catarina.

Relativamente ao Banco de Urgência do Centro de Saúde de Assomada, avançou que prevêem “desviar” as pessoas deste serviço que está “sempre cheio” com 90 a 100 utentes para a Central de Consultas, que se ocupa da consulta de medicina-geral, que aliás, lembrou, tem tido pouca procura por parte dos utentes.

Aliás, admitiu que não têm conseguido dar dois ou três consultas mensais, mas sim “minimamente”, tendo apontado solução à vista.

Elisângela Tavares informou ainda que a Delegacia de Saúde está a trabalhar para que o Banco de Urgência possa vir a ser realmente para os casos “mesmo de urgência” – que são os que necessitam de atendimento imediato.

“Todo o trabalho que temos estado a fazer a nível da Saúde em Santa Catarina vai ao encontro dos ODS”, declarou a delegada de Saúde.

Por outro lado, assegurou que têm estado a trabalhar para ajudar o país a atingir as metas dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), tomando como exemplo, o trabalho que têm estado a fazer a nível da gravidez na adolescência com vista a reduzir o número de gravidez nessa faixa etária.

“Estamos a trabalhar alinhados aos ODS. Acreditamos que juntamente com o país poderemos atingir as metas dos ODS. É uma meta grande, os recursos são parcos, mas acredito que sim, poderemos fazer qualquer coisa”, comprometeu-se.

O Centro de Saúde de Assomada, além do Banco de Urgência que funciona das 08:00 às 20:00 com um médico e três enfermeiros para darem respostas às situações de emergência, é composto também por uma central de consultas que funciona todos os dias das 08:00 às 15:00 e dá consultas de hipertensão, diabetes, psicologia, estomatologia e nutrição.

O mesmo conta ainda com um gabinete de Assistente Social que funciona das 08:00 às 15:00 e o Centro de Saúde Reprodutiva que funciona de segunda a sexta-feira, das 08:00 às 15:00, que faz a assistência do pré-natal, pediatria e vacinas.

No Centro de Saúde Reprodutiva existe um gabinete de adolescentes, onde faz-se assistência dirigida somente para esta faixa etária, como consultas de planeamento familiar, consultas de pós-parto, e ainda é responsável pelos programas de sensibilização, sobretudo na camada juvenil.

Esta equipa, conforme informações da Delegacia de Saúde, faz deslocações às escolas básicas e secundárias para ministrarem palestras relacionadas com adolescentes, com temas como sexualidade, álcool e drogas, e entre outros.

Na Delegacia de Saúde de Assomada (Santa Catarina) existem cinco médicos que dão respostas no Centro de Saúde, Centro de Saúde Reprodutiva, e na própria Delegacia de Saúde, nos quatro postos de saúde e nas sete unidades sanitárias de base e mais um centro comunitário que trabalha como USB.

Tem ainda 12 enfermeiros, sendo que quatro estão distribuídos nos quatro postos de saúde, mormente o de Achada Lém, Chã de Tanque, Engenhos e Ribeira da Barca, três para o Centro de Saúde Reprodutiva de Assomada e os demais no Banco de Urgência do Centro de Saúde de Assomada.

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