Dois problemas - um cisto no ovário e endometriose - e um único desejo: o de ser mãe. Após ter passado seis anos a enfrentar problemas emocionais e diversas frustrações, enquanto tentava engravidar, esta mulher da Ilha do Sal teve seu primeiro filho aos 36 anos. O que parecia impossível tornou-se possível.

A reviravolta positiva começou quando iniciou um tratamento de fertilização in vitro em Fortaleza, no nordeste do Brasil, junto de Fábio Eugénio Rodrigues, médico especialista em reprodução assistida.

Hoje com 43 anos e ao lado dos filhos Fábio e Victória, com sete e cinco anos de idade, respetivamente, Elsa desfruta de uma vida tranquila junto do marido Homero, os quais dedicam os fins-de-semana a passear na praia ou a brincar em casa, compartilhando cada momento livre em família.

"As nossas vidas resumem-se a eles. Nós os quatro estamos sempre juntos, aproveitamos cada minuto com eles da melhor forma possível. Amamo-nos. Sinto-me orgulhosa dos filhos que tenho", descreve.

Para Elsa, a emoção na hora do nascimento foi inexplicável, tendo levado algum tempo até acreditar que era, finalmente, mãe. Aliás, ainda hoje se emociona quando vê cenas em telenovelas em que, por exemplo, algumas das personagens têm filhos, levando-a a reviver aquele momento de 2010. "Quando recebi o meu filho no colo, pela primeira vez, fiquei a perguntar a mim mesma se aquilo era verdade, se aquele bebé tão lindo e tão perfeito era meu".

Aos 38 anos, devido ao sucesso da primeira gestação, que influenciou positivamente o seu diagnóstico de endometriose, Elsa conseguiu ficar outra vez grávida, desta vez sem o procedimento de fertilização in vitro. Foi assim que trouxe ao mundo uma menina.

Já agora, fique a saber que a endométrio é a camada que reveste internamente o útero, e, durante o ciclo menstrual, atravessa ciclos de descamação - correspondentes à menstruação - e regeneração. A endometriose é um problema que ocorre quando as células que constituem o endométrio estão situadas fora do que devia ser a sua localização normal, levando à infertilidade.

Segundo esta mãe cabo-verdiana, o médico brasileiro Fábio Eugénio acompanhou à distância toda a gestação do seu segundo bebé, sendo que manteve contacto com ele e passou-lhe todas as informações por email e telefone. "Até hoje, passo sempre informações sobre o crescimento deles ao doutor Fábio, e ele sempre responde com satisfação e carinho", conta.

Elsa Delgado não esconde, no entanto, o peso emocional que sentiu ao aceitar fazer uma fertilização in vitro, e como o apoio médico é essencial nesta fase. Para ela, a oportunidade de ir ao Brasil realizar o tratamento é algo único, já que nem todas as mulheres de Cabo Verde têm a possibilidade de viajar. No entanto, ressalva que mesmo com todas as dificuldades, incluindo os custos financeiros que estão associados, nunca foi uma opção desistir do sonho da maternidade.

"O meu marido dizia, em lágrimas 'não vamos desistir, vamos tentar novamente'. Apoiámo-nos um no outro e superámos. Regressámos a Fortaleza em 2010, e foi aí que conseguimos a nossa maior realização", conclui.