Qual promessa natalícia, todos os anos, a partir de 05 de Dezembro até ao dia de São Silvestre, Rosa Sousa fixa-se com dois balaios cheios de postais nessa que é das ruas “mais famosas do Mindelo” para vender seus postais.

No entanto, contou à Inforpress que já não consegue vender como dantes, em que todos os dias ia para a casa com os balaios vazios e com o seu “ganha-pão garantido.”

“Comecei a vender postais em 1980. Antigamente, vendíamos muito nessa época festiva. Comprávamos postais a cinco escudos na loja de Toi Pombinha e vendíamos por 10 escudos cada. Íamos para a casa com os balaios vazios,” recordou a septuagenária, com saudosismo.

Para Rosa Silva a culpa do fraco movimento é da internet e das redes sócias, seus principais rivais, que, revelou estão a “emborcar a sua panela”.

Os postais turísticos, acrescentou, também já não vendem como antigamente porque os turistas não os querem comprar.

“As pessoas preferem usar essas ferramentas do que comprar um postal para oferecer. Eles dizem claramente que não vale a pena comprar postal porque tem o Facebook. Isso acabou por emborcar a nossa panela e já não conseguimos ganhar algum dinheiro,” disse a santantonense, lembrando que na época em que se comunicava em Cabo Verde por telefone, havia grande procura por postais de Natal.

Mesmo assim, segundo Rosa Sousa, ainda há quem prefere preservar a tradição.

Por isso, jurou não abdicar deste compromisso anual na Rua dˈLisboa até ao dia em que Deus lhe convidar “para ir embora.”

E quando morrer, acrescentou a septuagenária, a filha, que também vende postais de Natal, “vai continuar esta tradição,” vaticinou.

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