Os livros também envelhecem, adoecem e ficam moribundos. Quando tal acontece, o canadiano, nascido em 1957, Guy Laramee desencadeia um processo. O criador multidisciplinar ressuscita livros desde 1999, sejam estes dicionários, enciclopédia, bíblias e dá-lhes uma nova vida.

Guy não muda a matéria base de todos os livros, o papel, o que faz é torná-la em paisagens grandiosas, esculpindo montanhas, desfiladeiros, abismos, picos. Paisagens de grande escala, embora contidas numa área tão grande quanto consegue ser um livro ou conjunto de livros.

Com o seu trabalho, este artista interdisciplinar sediado em Montreal, na província do Quebec, não nos quer trazer apenas uma reprodução em miniatura da natureza. O que Guy Laramee procura, como descreve em entrevista ao site de artes Yatzer, é transmitir “os sentimentos que um cenário selvagem desencadeia. É sobre transcender o mundano”. Uma espécie de paraíso, como o descreve o criador canadiano que não isenta a sua obra da ligação espiritual: “Julgo que o cristianismo faz-nos ver o ´transcendente` como um reino flutuante, fora deste mundo, uma espécie de paraíso. As espiritualidades asiáticas oferecem uma leitura completamente diferente do termo. Para eles, o conceito de ´transcendência´ significa simplesmente além”.

Na prática, o que Laramee procura com a sua escultura espiritual é um convite a que nos libertemos das preocupações do mundo. O caminho que este criador com trabalho desenvolvido há mais de 30 anos encontrou é o de escavar em velhas páginas de livros e pintar-lhes paisagens românticas.

Guy Laramée cria em disciplinas tão variadas como a escrita e direção teatral, a composição de música para dança contemporânea, o desenho e a construção de instrumentos musicais, cenografia, escultura, instalação, pintura, e literatura. O seu trabalho esteve exposto nos Estados Unidos, Bélgica, França, Alemanha, Suíça, Japão e vários países da América Latina.

Paralelamente à sua prática artística, Guy investigou o campo da antropologia, com trabalhos de campo no Togo, em África, e na Amazónia peruana.

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