A constatação foi feita por Yorleides Rosabel, momentos antes de presidir a abertura da conferência “População e desenvolvimento”, na Cidade da Praia, inserida nas atividades do Dia Mundial da População, assinalado a 11 de julho, este ano sob o lema “O planeamento familiar é um direito humano”.

Na ocasião, reconheceu que o pagamento das taxas moderadoras poderá contribuir para que muitas mulheres tenham os filhos em casa, mas sublinhou que o Ministério da Saúde já esta a trabalhar no sentido de rever a tabela de modo a evitar uma série de constrangimentos e situações que têm despoletando à volta da tabela de cuidados e de comparticipação no que diz respeito ao parto.

Para a directora, é preciso ver e analisar essa questão de forma global e definir, de forma clara, quais são os utentes que devem pagar e aqueles que devem ser isentos dessa taxa, assegurando que está prevista a revisão da tabela.

“As mulheres quando chegam às estruturas de saúde em trabalho de parto é prestado todo o cuidado, mesmo aquelas que não têm como pagar”, precisou Yorleides Rosabel, sublinhando que é preciso ver se a nível institucional é tida em conta a situação da mulher.

No que diz respeito ao acesso ao planeamento familiar das pessoas com deficiência, admitiu que existe uma certa negligência em termos de adequação e acesso aos cuidados a essa camada, mas garantiu que estão a trabalhar para colmatar esses constrangimentos que têm a ver com a adequação das infra-estruturas a nível de acessibilidade, aquisição de equipamentos apropriados, comunicação e informação.

Por outro lado, reconheceu que muitas dessas mulheres não recebem o tratamento adequado por serem portadoras de alguma deficiência, situação que, ao seu ver, é discriminatória e lamentável, sendo que muitas vezes não são denunciadas.

“Acredito que são situações que podem estar a acontecer, e compete a nós fazer um trabalho de capacitação técnica em termos de atendimento humanizado para mulheres, e há também a questão que se coloca, que tem a ver com o profissionalismo e de atitude”, adiantou a directora, que assegurou que os técnicos de saúde vão receber uma formação ainda no decorrer deste ano.

Yorleides Rosabel afiançou que é uma “situação lamentável” sendo que são testemunhos que marcam a classe e o ministério, mas assegurou que vão fazer todo o trabalho necessário para ultrapassar esses constrangimentos e dar um tratamento adequado a essas mulheres.

Na ocasião, afirmou que os preservativos masculino e feminino continuam a ser distribuídos gratuitamente nas estruturas de saúde e que apenas os outros métodos anticoncepcionais devem ter uma comparticipação de 100 escudos, só para aqueles que podem pagar.

A conferência “População e desenvolvimento” foi promovida pela Rede de Jornalistas para Questões de População (REJOP), em parceria com a Rede Parlamentar da População e Desenvolvimento, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Ministério da Saúde e a ONG Verdefam.

Celebrado anualmente, desde 1989, no dia 11 de julho, o Dia Mundial da População alerta para a importância das questões populacionais no contexto dos planos e programas de desenvolvimento, e a necessidade de se encontrar soluções para estas questões.