“O que estamos a fazer é evitar que hajam mosquitos no país e isto faz-se através de sensibilização das populações e luta anti vetorial”, precisou a responsável do INSP.

Para Maria da Luz Lima, esta luta tem sido feita em parceria com as câmaras municipais e outros ministérios, nomeadamente o da Educação no sentido de “sensibilizar os alunos para as boas práticas” em ordem a evitar a criação das condições para o surgimento de focos de mosquitos.

A presidente do INSP fez essas considerações à imprensa à margem do Atelier Nacional de Reforço das Capacidades para a Passagem à Grande Escala das Melhores Práticas de Saúde, que decorre na cidade da Praia de 24 a 28 deste mês.

Instada sobre medida que Cabo Verde adotou para impedir uma eventual epidemia de Chikungunya, já que recentemente Rio de Janeiro, no Brasil, esteve a braços com esta situação, explicou que hoje o país está melhor preparado para fazer face a esta problemática do que quando se verificou a epidemia do Zika.

“Atualmente, temos um laboratório de virologia que consegue detetar os vírus no momento”, avançou Maria da Luz Lima, acrescentando que o país “nunca baixou os braços” em relação à luta anti vetorial.

Segundo ela, quando se regista epidemia num país que tem relações muito próximas com Cabo Verde, como é o caso do Brasil, as autoridades sanitárias nacionais “reforçam a vigilância”, não obstante as atividades no terreno continuarem de forma permanente.

Para esta médica, o arquipélago é “muito vulnerável” a epidemias, porque tem um clima propício para o efeito.

Relativamente ao ateliê, disse que é uma oportunidade para os técnicos ligados à saúde analisarem as melhores praticas, desde a humanização dos cuidados de saúde, nomeadamente no que concerne ao parto, passando pela promoção do banco do leite humano de que Cabo Verde é um dos exemplos em África.

Na sua perspetiva, desde a independência a esta parte os sucessivos governos “têm apostado muito na área de proteção maternoinfantil”.

“Como se sabe, cada serviço tem uma boa prática que não é conhecida porque não é divulgada e aqui (neste ateliê) vamos analisar essas boas práticas e ver os constrangimentos”, lançou, citando o exemplo de Santo Antão onde o parto está sendo humanizado, com “bons resultados”, a vai ser divulgado durante este evento.

Perguntada se as boas práticas não requerem que o país disponha de melhores médicos, Maria da Luz Lima afirmou que isto não tem que ser necessariamente assim, mas que o mais importante é ter uma “boa organização”.

De acordo com esta responsável, desde a independência até agora Cabo Verde não tem todos os médicos de que precisa, mesmo assim vem conseguindo bons resultados no domínio da saúde.

“O que queremos são as estratégias que têm que ser adequadas. Com os recursos que o país tem é preciso disseminar as boas práticas e melhorá-las para terem ainda mais impacto na saúde”, indicou.

Por sua vez, o representante do responsável da Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS), Namoudou Keita, destacou a participação “ativa e intensiva” de Cabo Verde nos fóruns regionais sobre as boas práticas de saúde realizados em diferentes países, desde que esta iniciativa foi institucionalizada em abril de 2014, em Monróvia (Libéria).

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