Vamos por partes. Sabe o que é o endométrio? Estamos a falar da mucosa (do tecido) que reveste toda a parede interna do útero. Durante o ciclo menstrual, ou, para sermos mais precisos, na fase pré-menstrual (chamada de isquémica), o endométrio deixa de receber o seu suplemento sanguíneo e, durante dois ou três dias, pode haver pequenas perdas sanguíneas em borra, antes da descamação total do endométrio: como já deu para perceber, estamos a falar da menstruação.

Contudo, nos casos em que se dá mesmo a fecundação, entre o quinto e o sétimo dia após a mesma, a massa de células que constitui o embrião implanta-se no endométrio: é a nidação. Chegados aqui, estamos a meio caminho de conseguir vir a ter um bebé.

Estes dois casos são perfeitamente normais no corpo da mulher, mas o mesmo não se pode dizer da chamada endometriose, uma doença causada pela presença de células (fragmentos) do endométrio fora do útero, quer dizer, fora do seu local normal. Estas células podem aparecer, por exemplo, no peritoneu pélvico, ovários, bexiga, apêndice, intestinos e até no diafragma. Nos casos mais raros pode chegar aos pulmões, nariz ou pele.

Os dados estatísticos existentes indicam que cerca de 10% da população em idade reprodutiva tem endometriose, percentagem que aumenta para entre 30% a 40% nas mulheres que são inférteis.

A questão (e aquilo que precisa de ter em atenção) é que muitas mulheres confundem as dores desta doença com as das cólicas típicas do período menstrual, quando, na verdade, está-se perante a manifestação de um problema de saúde. A endometriose é uma doença sem cura total, mas existem tratamentos e cirurgias capazes de controlar os seus sintomas e evitar a progressão da doença.

Felizmente, na maior parte dos casos as pacientes que são submetidas a tratamentos cirúrgicos acabam por apresentar altos índices de melhora dos sintomas, conseguindo voltar a ter uma excelente qualidade de vida, com a redução da intensidade das dores a ir até aos 80%.

Como a infertilidade acomete 30% a 40% das mulheres com endometriose, é expectável quem recebe o diagnóstico sinta uma nuvem de dúvidas a pairar sobre os seus planos para ter filhos. Mesmo assim, e com a presença da doença, saiba que tem hipóteses de engravidar, tanto de maneira natural como com auxílio da reprodução assistida: a taxa de gravidez natural chega a 50% dos casos.

Além disso, não existem evidências científicas que relacionem a endometriose com complicações para a mãe e o bebé, ou seja, a gravidez não é considerada de risco.

Tratamentos a ter em conta para engravidar

Há dois tipos de tratamento: a cirurgia ou o recurso a técnicas de reprodução assistida. No caso das mulheres que não apresentam nenhum problema nas tubas uterinas – também chamadas de trompas de Falópio, dois tubos que ​se estendem do útero para cada lado da pelve – e nas situações em que o espermograma do marido é normal (sem sinais de esterilidade), ​a inseminação artificial é uma boa opção.

No entanto, caso a paciente tenha uma endometriose ​mais severa, ​ou outros problemas reprodutivos associados, ​o indicado é a fertilização in vitro (FIV). Neste caso, os embriões já fecundados são inseridos no útero, pois a doença dificulta o processo de captação do óvulo pelas tubas uterinas.

Se a mulher passou dos 35 anos, a probabilidade de engravidar diminui bastante e quase sempre é necessário FIV. Junto das mais jovens, o índice de sucesso, inclusive de modo espontâneo, chega aos 65%.

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