“O problema são os indivíduos que, por receio, não querem ou não estão usando os serviços [de saúde]. E isto é mau”, disse João Schwalbach, especialista em saúde pública, em entrevista à Lusa.

Schwalbach é igualmente diretor da Escola de Ciências Médicas do Instituto Superior de Ciência e Tecnologia (ISCTE) de Maputo e foi diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior do país.

O médico afirmou que pequenas enfermidades e de fácil solução podem agravar-se devido à falta de atendimento por causa do receio de procurar cuidados de saúde no hospital.

“Além de patologias diversas que surgem no dia a dia, estamos também a pensar em serviços que são extremamente importantes para o presente e o futuro e que devem ser cabalmente assegurados”, frisou o especialista.

A desconfiança dos cidadãos em relação à segurança do Sistema Nacional de Saúde (SNS) face à covid-19 pode comprometer as metas nos programas de vacinação, acompanhamento pré e pós-natal da mulher e criança, bem como o controle e acompanhamento das doenças crónicas, acrescentou.

Entre essas doenças, estão diabetes, hipertensão arterial e imunodepressão, referiu João Schwalbach.

“De um modo geral, a COVID-19 não deveria pôr em causa quaisquer outras patologias. Mas, por vezes, a realidade obriga-nos a ter de estabelecer prioridades, seja para garantir recursos, seja para alocar mais disponibilidades a ações mais essenciais”, declarou o presidente da Amosapu.

Nesse sentido, as doenças cardiovasculares, diabetes e as do foro respiratório devem centrar as atenções do Serviço Nacional de Saúde, uma vez que têm maior potencial para uma progressão mais grave, acrescentou.

João Schwalbach disse que a mortalidade em doenças não relacionadas com COVID-19 pode ter aumentado, devido ao medo de receber atendimento médico no hospital.

As pessoas, prosseguiu, devem continuar, sem receio de ir aos centros de saúde e hospitais, porque estes serviços estão preparados e organizados para o atendimento normal com todas as precauções que possam impedir a contaminação de COVID-19.

“O Sistema Nacional de Saúde, tanto quanto sei, organizou-se e continua a organizar-se para que o sistema continue operacional e disponível para a prestação de todos os outros serviços”, frisou.

Moçambique tem 883 casos acumulados de COVID-19, com seis mortes e 229 recuperados.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 502 mil mortos e infetou mais de 10,20 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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