Bióloga de formação e doutorada em Ciência Biomédicas, no ramo de Parasitologia, Diara Kady Rocha diz que começou a produzir  desinfetante para as mãos por causa da procura desenfreada por álcool gel no mercado, a nível local, tendo em conta a pandemia da Covid-19. Até ao momento produziu cerca de 1 litro do produto que tem distribuído gratuitamente aos amigos.

Com a pandemia da Covid-19 a nível mundial e a confirmação de casos positivos em Cabo Verde, mais precisamente nas ilhas da Boa Vista e Santiago, aumentou ainda mais a procura pelo álcool gel no país. Por não encontrar este produto no mercado, a bióloga mindelense Diara Kady Rocha resolveu produzir desinfetante para as mãos para oferecer aos amigos e não só.

“Ao acompanhar as últimas notícias e ao ver que o álcool gel estava esgotado na maior parte das farmácias do país, tive de procurar um protocolo seguro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para produzir um desinfetante para as mãos”, diz.

Começou no domingo passado a produzir em casa para o uso próprio e esta terça-feira, 24, pediu a autorização ao vice-presidente da FaED para utilizar o laboratório do estabelecimento para dar seguimento à produção para oferecer a outras pessoas.

“Arranjei os três componentes necessários e fiz em casa, porque tenho as provetas graduadas e pipetas, materiais das minhas pesquisas com plantas medicinais. Depois pensei em oferecer para uma missionária que está a trabalhar na ilha do Fogo com os idosos e nalguns amigos que me foram informando que não estavam a encontrar o produto nas farmácias”, conta.

No que toca aos materiais utilizados, Diara Rocha diz que utiliza álcool que compra com meios próprios, água oxigenada e glicerol que têm sido pequenas ofertas de uma amiga e do laboratório da FaED.

“O material de preparação faz parte do meu trabalho de pesquisa com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Também compro água, que devo ferver e arrefecer, pois não tenho água destilada. Também não tenho o espessante usado a nível industrial para melhor conservação, portanto tenho frascos de laboratórios bem vedados”, diz.

A bióloga revelou ao SAPO que a produção do desinfetante para as mãos é bastante rápida. “Digo que é rápido porque o álcool é volátil e não tenho o espessante que ajuda a estabilizar. Faço e selo rapidamente os frascos, o que implica ter os cálculos dos volumes feitos no papel. Junto tudo, agito, distribuo em pequenos frascos, 100 ml ou mesmo 250ml, e fecho muito bem vedando com parafilm (película flexível, usada principalmente em laboratórios) para além da tampa”.

Diz que normalmente deixa ficar 24 horas a estabilizar antes de entregar o produto final, como descreve o protocolo.

Questionada se encontra no Mindelo todos os materiais necessários para a produção, a docente diz que há algumas limitações. “A água oxigenada e o álcool são os mais fáceis de se encontrar. A maior limitação é o glicerol ou glicerina, que agora graças à FaED tenho um volume de 30 ml”.

Até ao momento, já fez cerca de um litro de desinfetante para as mãos que tem distribuído aos amigos. Contudo gostaria de ter o apoio para ter um produto certificado.

“Apenas dois colegas da área em Portugal me garantiram a eficácia do produto com a formulação da OMS, (uma espécie de desinfetante certificado pela OMS). A minha maior preocupação é a eficácia do produto a longo prazo, visto que não tenho o tal espessante, por isso faço frascos pequenos e bem selados” conclui.

Álcool gel
créditos: Foto@Diara Kady Rocha

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