A Diabetes é a irmã mais velha delas três, comporta-se como uma irmã discreta, silenciosa mas muito perigosa. Como irmã mais velha tem a capacidade de influenciar as outras irmãs e agir directamente sobre elas.

A diabetes é a presença de açúcar (glicose) em excesso no sangue. A glicose é uma substância que provém dos hidratos de carbono e é indispensável para o funcionamento do nosso corpo, funciona como uma fonte de energia para as células. Quando presente em excesso no sangue pode atingir todos os órgãos do nosso corpo, coração, olhos, rins, bexiga, pénis, entre outros.

A diabetes é uma doença silenciosa uma vez que só dá sintomas quando já está numa fase mais adiantada. É muito perigosa porque quando dá sintomas pode já haver danos irreversíveis no nosso corpo.

Para prevenir a doença devemos adoptar um estilo de vida saudável, através de uma dieta equilibrada com poucos açúcares, prática regular de exercício físico e uma vigilância de saúde com o nosso médico assistente. Recorde-se que em muitos dos doentes, a diabetes só é diagnosticada apenas quando fazem análises ao sangue ou quando aparecem já com lesões de alguns órgãos (como por exemplo cegueira, enfarte cardíaco e amputação de dedos).

A irmã do meio

A Infeção Urinária é a irmã do meio, é misteriosa e tem um comportamento um pouco bipolar. Ora parece que está tudo bem e não está, ora parece que está tudo mal e não está.

A infeção urinária nos doentes diabéticos é um paradoxo em termos de sintomas, daí chamar-lhe bipolar e misteriosa. Ora dá sintomas ora não dá sintomas.

Se temos uma diabetes controlada normalmente temos os sintomas urinários controlados e conseguimos evitar as infeções urinárias. Se temos uma infeção urinária podemos ficar logo com os diabetes descontrolados, daí a sua relação próxima. Influenciam-se positivamente mas também negativamente.

Para prevenir a infeção urinária devemos ter a nossa diabetes bem controlada, beber líquidos (por forma que a cor da nossa urina seja da cor da água ou amarelo claro), fazer uma correta higiene e estar vigilante quanto a sintomas (ardor, aumento da frequência urinária, alteração da cor e cheiro da urina, sensação de não esvaziar a bexiga e/ou febre).

Mas atenção, nem tudo que arde quando urinamos é infeção urinária, muitas vezes os doentes diabéticos têm ardor urinário e não têm infeção urinária. Daí a necessidade de quando um doente diabético tem ardor urinário ou outros sintomas urinários procurar o seu médico para o despiste.

A mais nova

A Disfunção Erétil é a irmã mais nova delas três, mais reservada, mais envergonhada e até por vezes negligenciada pela irmã mais velha a diabetes.

A disfunção erétil caracteriza-se pela incapacidade dos homens em manterem uma erecção suficientemente capaz para uma actividade sexual satisfatória. Na população diabética atinge a esmagadora maioria dos homens em alguma fase da da sua via.

A disfunção erétil pode ser um sinal precoce do desenvolvimento da diabetes assim como pode ser a consequẽncia de uma diabetes mal controlada.

Assim, quando não se tem uma vida sexual satisfatória, o doente deve procurar o seu médico para lhe pedir ajuda. Uma vez que a disfunção erétil é uma irmã envergonhada, devem os médicos  tomar a iniciativa de perguntar aos seus doentes homens como está a sua saúde sexual.

Apesar de dizermos que temos uma sociedade moderna e evoluída, a sexualidade continua a ser um assunto tabu que ninguém gosta de discutir com o seu médico, ora por manifesta vergonha, ora por manifesta falta de tempo dos médicos nas suas consultas.

A disfunção erétil tem tratamento e na maioria dos casos consegue-se dar uma vida sexual satisfatória aos doentes diabéticos.

Estas podiam ser apenas mais umas histórias ou mais uns contos sobre três irmãs tão diferentes, mas infelizmente não. Esta é a realidade de muitos portugueses. Não tenha medo e consulte o seu médico.

Os conselhos são do médico Nuno Domingues, Urologista do Hospital das Forças Armadas e Hospital CUF Descobertas.