Fernanda Azancoth falava em declarações à Inforpress no âmbito de um workshop sobre “Alimentação na(s) deficiência(s)” promovido pela Associação das Famílias e Amigos das Crianças com Paralisia Cerebral (Acarinhar) em parceria com a Federação das Associações de Pessoas com Deficiências (Fecad), na cidade da Praia.

Segundo a nutricionista, atendendo que essas crianças pelas suas condições estão permanentemente sentados ou deitados têm propensão em desenvolver várias carências a nível nutricional, porque não conseguem deglutir com facilidade, o que traz problemas como a desnutrição, a obstipação e até a pneumonia.

Para a mesma fonte há que ter “muito cuidado” no manejo nutricional dessas crianças, uma vez que elas têm muita facilidade em aspirar, ou seja, dependendo da consistência do alimento que lhes é oferecido, podem engasgar.

Como são crianças com tendência para desenvolver pneumonias, principalmente por aspiração, Fernanda Azancoth afirmou que é necessário que os pais tomem alguns cuidados, visto que muitas dessas crianças são internadas recorrentemente nos hospitais.

A nutricionista assegurou que as crianças com paralisia cerebral não necessitam de uma alimentação diferenciada das outras, mas sim é necessário apostar numa alimentação “equilibrada e saudável”, mas com a especificidade de serem mais pastosas e líquidas.

“As mães ou os cuidadores de uma criança com paralisa cerebral têm que atender a esses cuidados como respeitar a roda dos alimentos, ou seja ter o equilíbrio de todos os nutrientes, principalmente atender as fibras, proteínas, porque como eu disse são crianças que tem propensão em desenvolver obstipação, ou seja, não conseguem defecar com facilidade”, alertou.

Com este workshop, a presidente da Acarinhar, Teresa Mascarenhas, disse à Inforpress que pretende chamar atenção dos cuidadores, pais e técnicos para a questão da alimentação das crianças com deficiência, principalmente as com paralisia cerebral, que têm problemas de má nutrição.

Na mesma linha que a nutricionista, Teresa Mascarenhas apelou aos pais para adaptarem os menus de acordo com a necessidade e a condição de cada criança e levar em conta o posicionamento das crianças na hora de se alimentarem-se e a usar utensílios adequados.

O workshop, realizado na sede da Fecad, na Cidadela, contou com temas com “Importância da alimentação na paralisia cerebral e o seu suporte nutricional e posicionamento”, “Abordagem nutricional na paralisia cerebral\disfagia: desafios e estratégias”, “Trabalho multidisciplinar na(s) deficiência(s)”, “Afecto e estado emocional relacionada com a alimentação”, e “Síndrome de Prader-Willi, distúrbios alimentares”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.