A investigação liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e pelo Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, analisou o funcionamento do relógio biológico humano a partir da análise genética de enormes bancos de dados.

Os especialistas relacionaram ainda a qualidade do bom despertar com a saúde mental e outras doenças. Curiosamente não encontraram relações estatisticamente significativas com patologias crónicas como a obesidade, lê-se no estudo.

A investigação publicada na revista Nature destacou o papel que a retina desempenha no organismo ao controlar os ritmos circadianos. Por ouro lado, a análise aumenta o número de áreas do genoma que influenciam essa disposição genética.

Notívago ou diurno?

"Este trabalho expõe um grande número de genes que pode ser estudado mais detalhadamente para entender como diferentes pessoas podem ter diferentes relógios biológicos", resumiu em comunicado Mike Weedon, da Escola de Medicina da Universidade Exeter.

A grande quantidade de indivíduos envolvidos no estudo deu, segundo Weedon, "provas mais claras" sobre as pessoas notívagas terem "um risco maior de ter doenças mentais".

No total, foram analisados os genomas de 250 mil indivíduos de uma base de dados dos Estados Unidos e de 450 mil pessoas de uma base do Reino Unido.

Os especialistas tentaram identificar que genes tinham em comum e como isso poderia influenciar padrões de sono, ao mesmo tempo que contrastaram essa informação com dados de outros 85 mil indivíduos controlados por uma pulseira de atividade. Os cientistas conseguiram observar que algumas variantes genéticas identificadas podem modificar em até 25 minutos a hora em que uma pessoa acorda de maneira natural, o que poderá influenciar a produtividade da mesma.

Entre as regiões genómicas identificadas estão aquelas que influenciam os nossos relógios corporais, conhecidos como "ritmos circadianos", nas quais também detetaram a presença de genes expressados no cérebro e no tecido retinal do olho.

O ciclo do relógio biológico, de acordo com os cientistas, é ligeiramente mais longo do que o diário de 24 horas e por isso, as conexões do tecido ocular explicam como o cérebro deteta a luz para reiniciar esse relógio todos dias, sincronizando-o com o ciclo diário. Os funcionamento do relógio biológico humano, conforme o estudo, é influenciado pelos genes e pelo nosso estilo de vida, como alimentação, exposição à luz artificial, trabalho e atividade física.

"O nosso trabalho indica que, em parte, os motivos pelos quais algumas pessoas estão mais dispostas a acordar cedo e outras são mais noturnas se devem às diferenças que existem entre a maneira com que os nossos cérebros reagem aos sinais da luz externa e ao funcionamento normal dos nossos relógios internos", disse Samuel E. Jones, da Universidade de Exeter. E essa resposta está codificada no ADN.

Segundo ele, estas pequenas diferenças poderiam ter "efeitos significativos" na capacidade dos nossos relógios biológicos "controlarem o tempo eficazmente", o que "poderia alterar os riscos associados às doenças e transtornos mentais", à produtividade e à eficácia.

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