Zany Moreno encontrou na moda uma forma de superação

A empresária de 41 anos é dona do ateliê “Confecções Zany”, na cidade da Praia.

Zany Moreno

Zany Filomena Soares Moreno é uma empresária no ramo da moda, dona de um ateliê que veste ‘celebridades’ no país. Contudo a sua história é um caso de superação. Foi presa em 2005 e cumpriu uma pena de sete anos na Cadeia de São Martinho. O caso foi bastante falado nos media quer a nível nacional quer internacional.

Prefere não entrar em grandes detalhes sobre o ocorrido. “Foi uma situação difícil na minha vida, mas agora estou focada nas boas lições que tirei para ser uma pessoa melhor, para não repetir os mesmos erros. A prisão foi uma escola na minha vida”, afirma.

Apaixonada por moda desde cedo, a empresária, natural do concelho de São Domingos, na ilha de Santiago, começou a desenhar roupas aos 27 anos. Diz que apesar de não ter obtido um diploma as aulas de corte e costura durante a sua prisão foram decisivas.

“Sempre fui um pouco vaidosa e exuberante. Quando estava presa tive que arranjar uma forma de criar/produzir as minhas próprias peças. A moda foi uma maneira que encontrei para passar o tempo”, conta.

Questionada sobre o impacto do seu passado na sua vida, Zany não hesita: “O meu passado não afeta o meu psicológico. Nunca fui discriminada, mas se algum dia isso vier a acontecer, simplesmente, ignoro”.

Surgimento do ateliê

Em outubro de 2013, quando saiu em liberdade, decidiu dar a volta por cima e criou um projeto intitulado “Confecções Zany”. Passou então a dedicar-se ao mundo da moda.

Atualmente, o ateliê emprega treze funcionários, na sua maioria de origem senegalesa. “Aqui é difícil encontrar mão-de-obra qualificada”, salienta.

Situado na Avenida Cidade Lisboa, no ateliê são produzidas roupas de géneros variados, desde o desportivo ao mais clássico. “Fazemos vestidos de noiva, roupas para casamento, batizado, vestidos de gala, fardas para instituições e ministérios, enfim, nas Confecções Zany fazemos de tudo um pouco”, afirma.

Em relação aos preços das criações, Zany diz: “Nas Confecções Zany não existe o bom, bonito e barato, mas sim o bom, bonito e razoável. Trabalho com peças únicas e quando são produzidas com tecidos do atelier podem variar dos 3000 aos 5000 escudos”.

Nas suas criações, a empresária usa tecidos europeus, mas prima pelos africanos provenientes do Senegal, Angola e Costa do Marfim. “Inspiro-me em África. Tenho uma ‘queda’ por tecidos africanos, mas aqui não há muitas opções.”

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