"O cancro transformou-me". O testemunho de uma médica que venceu a doença

Odile Fernández é médica, mãe e sobrevivente de cancro. É assim que esta espanhola de 39 anos se apresenta. Num novo livro editado pela Planeta e publicado esta quarta-feira (05/04) em Portugal, a especialista explica como prevenir e lutar contra a doença.

"Sou Odile, médica, mãe e sobrevivente de cancro. Superei um tumor do ovário, com metástases, em 2010. O cancro transformou-me e ensinou-me a viver. Aprendi a nutrir o meu corpo e a minha mente", começa por dizer a espanhola.

Foi a trajetória de luta contra o cancro e os ensinamentos que a doença lhe deu que levaram esta mulher a publicar um livro sobre como lutar contra uma das doenças mais temidas e mortais do mundo. "A Minha Revolução Anticancro" é um livro sobre cancro e saúde. Trata-se de um guia de auto-ajuda onde a autora explica como prevenir e lutar contra a doença numa linguagem simples, mas com rigor científico.

"A nossa atitude perante a doença é muito importante, há quem diga que influencia 50%. No início, quando somos diagnosticados com a doença, é preciso desenvolver um processo de luto que passa pela negação, raiva e depressão. Mas uma vez superadas essas fases, devemos ter uma atitude de vida positiva e concentrarmo-nos intensamente no dia a dia", explica.

"O foco deve ser na esperança. Uma atitude positiva permitirá lidar melhor com o tratamento", acrescenta a médica em entrevista ao SAPO Lifestyle.

No manual agora publicado é possível aprender informação sobre a doença, rituais para dizer adeus à tristeza, receitas para pratos saudáveis, exercícios de ioga e relaxamento, frases motivadoras e conselhos para doentes. O livro reúne ainda testemunhos de pessoas que lutaram contra a doença.

E qual o papel dos amigos na doença?

"Os amigos e familiares devem estar por perto, a apoiar, cuidar e mimar os doentes, mas sem transformá-los em inválidos. Deve-se tentar ajudar, mas não substituir os doentes", frisa a médica.

"Deve perguntar-se quais são as necessidades e desejos da pessoa em causa e ajudá-la a alcançá-los, como fazer compras, cozinhar, assistir a uma comédia ... É preciso estar disponível para o que for preciso. Mas não recomendo que continuamente se pergunte como é que essa pessoa está, se sente efeitos secundários, etc", diz a autora.

Odile Fernández nasceu em 1978 em Granada, Espanha. É especialista em Medicina Geral e Familiar e pós-graduada em Medicina Preventiva e Saúde Pública. É mãe de três filhos, dedica-se à divulgação científica e dá conferências internacionais sobre a doença.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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