Joelma Tavares, a engenheira informática que criou a D!ju

Para Joelma, criar bijuterias sempre foi um hobby. Não se compromete com temas e as suas peças têm em comum o facto de serem da marca “D!ju”.

Continua a exercer a sua profissão mas não descuida da produção artesanal. O factor qualidade é primordial para esta engenheira e artesã já que Joelma diz que não vende o que não gosta.

Joelma começou por vender aos colegas do trabalho e a publicidade foi passando de boca-a-boca. Hoje aceita encomendas na rede social Facebook, onde tem uma página. Os preços dependem do produto em causa, mas vão dos 350 aos 3500 escudos.

Desde Dezembro de 2014, a jovem começou também a fazer decoração de casamentos.

Reaproveitamento de materiais

O aproveitamento de materiais usados é um dos traços que distingue o trabalho de Joelma. No seu local de trabalho, Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi), existe inclusive o NOSi Natura, um grupo de pessoas que gostam de artesanato e que resolveram reciclar o material informático destinado ao lixo. “Acabamos por usar também outros materiais…fizemos uma exposição no Palácio da Cultura”.

“Quando vou fazer compras, às vezes, compra mais pela embalagem (risos)”, diz Joelma e explica que os frascos e as embalagens Tetra Park, por exemplo, servem para utensílios e objectos variados.

A produção da D!Ju depende da disponibilidade de Joelma. “Para mim é um escape”, confessa. Dedica-se à produção artesanal nas horas vagas, principalmente aos fins-de-semana e à noite. Hoje em dia tem menos tempo pois é mãe de uma menina pequena.

Além dos materiais usados, Joelma usa também tecidos africanos e materiais que traz de outros países. Faz igualmente compras online.

A produção de um artigo varia pode levar algumas horas mas alguns trabalhos exigem maior concentração e tempo.

“Não vendo o que não gosto”

A artesã participou em alguns feiras e exposições. Actualmente, também coloca os objectos para venda na loja “Grão de Areia”, no Shopping da Praia.

Joelma afirma que o artesanato é uma actividade, que com alguma dedicação, pode ser bastante lucrativa. “Por exemplo, no Natal, não tive tempo para responder a todos os pedidos porque tive outros compromissos, mas fazendo as contas, por alto, consegui arrecadar cerca de 60 mil escudos, com as vendas”.

A jovem acredita que o artesanato pode ser uma actividade geradora de rendimentos para uma pessoa, por exemplo desempregada. “Agora é preciso fazer coisas com qualidade e tentar adaptar ao que as pessoas (efectivamente) usam no dia-a-dia”.

A artesã acredita que poderia ser feito um investimento maior na formação dos artesãos locais de modo a que os mesmos possam criar produtos com maior qualidade.
Para Joelma, um dos problemas da produção artesanal em Cabo Verde é justamente o facto de que nem sempre as obras se adaptam ao que as pessoas gostam de usar no quotidiano.

Defende que o artesanato produzido localmente podia ser vendido nas lojas de decoração da capital, por exemplo e as mesmas até poderiam ter um espaço dedicado ao artesanato de Cabo Verde. Mas para tal, alguns dos produtos artesanais cabo-verdianos precisavam de ter maior polimento e acabamento.

“Gostava de dar o meu contributo”, diz humildemente e acrescenta que está disponível para ajudar nesta área pois é um assunto sobre o qual tem reflectido bastante.
É exigente consigo mesma, diz que “não vende algo que tenha feito mas que não goste (do resultado final)”.

Veja algumas criações da D!ju:

Comentários