Hospital chinês condenado por amarrar homem e forçá-lo a tratamentos de reorientação sexual

Um hospital chinês foi condenado pela justiça por impor um tratamento de reorientação sexual a um paciente, segundo a sentença de um tribunal anunciada hoje.
créditos: AFP

De acordo com a cópia do veredito, o hospital psiquiátrico de Zhumadian, na província de Henan foi condenado por um tribunal da mesma cidade e terá de fazer um pedido público de desculpas e pagar ao queixoso 647 euros pelos danos causados.

M. Yu foi admitido na instituição em outubro de 2015, pouco depois de ter revelado a sua homossexualidade à esposa e pedido o divórcio. O paciente foi então diagnosticado com "problemas de orientação sexual" pelo hospital, que se recusou a deixá-lo sair, e impôs um tratamento médico para garantir "cura" de Yu. A "terapia de reorientação sexual" aplicada é considerada uma prática não científica e ineficaz pelos peritos, embora continue a ser utilizada em várias clínicas do país.

M. Yu foi amarrado durante cerca de 20 dias à sua cama de hospital e forçado a tomar comprimidos e receber injeções concebidos "para corrigir" a sua orientação sexual, sob pena de espancamentos, explicou o próprio, numa entrevista à agência France-Presse.

Antidepressivos e injeções

Uma testemunha confirmou em tribunal que Yu foi "tratado contra a sua vontade durante 19 dias", através de medicação que incluía antidepressivos e injeções, lê-se no documento do tribunal. "Este veredito é importante para a comunidade homossexual porque nenhuma lei oferece proteção" contra o tratamento forçado, disse Peng Yanhui, diretor de uma organização não-governamental que defende os direitos LGBT na China.

Num caso semelhante, em dezembro de 2014, um tribunal de Pequim condenou uma clínica em Chongqing, no sudoeste da China pela prática de tratamentos com o objetivo de "curar" a homossexualidade. A china removeu a homossexualidade da sua lista de doenças mentais em 2001, mas muitas pessoas da comunidade continuam a ser vítimas de discriminação e sofrem de pressão familiar.

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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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