Do Pchum Ben ao Obon: o culto dos mortos pelo mundo fora

Em Portugal, o 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, é marcado pela ida dos portugueses aos cemitérios como forma de lembrar todos aqueles que já partiram. Mas de que forma é que a memória dos mortos é homenageada no resto do mundo?

Japão: Festival Obon

Tradicionalmente comemorado a 15 de julho, o Obon é um evento que, de acordo com as crenças budistas, pretende celebrar os espíritos dos antepassados. Durante o festival os mortos são homenageados através do lançamento das tōrō nagashi, pequenas lanternas japonesas feitas em papel pelas famílias e que são lançadas ao rio.

Nesta altura as famílias japonesas costumam reunir-se à volta da fogueira para a tradicional bon-odori: uma dança que tem como objetivo dar as boas vindas aos espíritos que, nesta data, regressam ao mundo dos vivos.

México: Dia de Los Muertos

Começou no México mas atualmente é comemorado em toda a América Latina ao longo de dois dias. À semelhança do que acontece em Portugal, entre 1 e 2 de novembro os cemitérios encherem-se pessoas que pretendem celebrar a vida dos entes queridos que já partiram.

Segundo a tradição mexicana, junto da campa do defunto cria-se uma espécie altar que deve incluir tudo aquilo que mais gostava em vida e onde a família se junta para homenagear a sua memória. Este dia destaca-se pelo uso das caveiras e cores vivas que, segundo a cultura azteca, simboliza a morte e renascimento.

Coreia: Chuseok

Ao longo de três dias as famílias coreanas homenageiam os seus antepassados e agradecem as boas colheitas através da gastronomia, da dança e de diversos jogos. Celebrado no 15º dia do oitavo mês do calendário lunar, o Chuseok é considerado um dos maiores feriados do ano.

Para além das tradicionais idas ao cemitério, ao anoitecer as famílias tem a tradição de se reunirem e pedirem um desejo olhando fixamente para a lua cheia.

China: Festa dos Espíritos Esfomeados

O Hungry Ghost Festival, que têm início no 15º dia do sétimo mês do calendário lunar e se prolonga durante um mês, destaca-se por ser uma festa onde as famílias chinesas homenageiam os entes que já partiram.

É comum celebrar-se a data com altares de comida, de forma a saciar os espritos esfomeados que vagueiam pelas cidades durante esta época, e através do lançamento de lanternas flutuantes. Acredita-se que quando maior for a distância que a lanterna percorrer sem pegar fogo, maior será a sorte da família no ano que se avizinha.

Nepal: Gai Jatra

O Gai Jatra – também conhecido com o Festival das Vacas – é um dos feriados mais populares do Nepal e cujas origens remontam ao século XVII. O festival, que inicialmente foi criado pelo rei Pratap Malla como forma de entreter a mulher após a morte do filho, celebra-se com diversas procissões que têm lugar em agosto ou setembro em diversas cidades nepalesas.

Todos aqueles que perderam alguém devem levar uma vaca para a procissão na promessa de que o animal vai ajudar o espírito na sua próxima vida.

Camboja: Pchum Ben

Entre setembro e outubro diversas cidades do camboja vestem-se de branco para celebrar este feriado religioso. Segundo a tradição, acredita-se que durante o Pchum os espíritos regressam à terra em busca dos seus familiares com o intuito de redimirem os seus pecados.

Assim, à semelhança do que acontece na China, durante os 15 dias do festival as famílias reúnem-se em templos onde são deixadas diversas oferendas as espíritos do submundo que vagueiam pelas ruas das cidades.

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