Cinzo Gamboa, o estilista que vestiu os atletas crioulos nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Lejemea, Zé Espanhol, Grace Évora e Loony Johnson são alguns dos clientes do jovem criador da marca CZ Gamboa.

Estilista cabo-verdiano

créditos: Aline Oliveira

Mário Alberto Gamboa Nunes é um jovem estilista natural do bairro Eugénio Lima, na cidade da Praia, que se tem destacado no mercado nacional. Cinzo, como é conhecido, nasceu no Dia de Cinzas e os pais queriam chamar-lhe Cinzo, mas, como o nome não foi aceite no cartório, foi registrado como Mário.

A moda corre-lhe no sangue. Filho de uma costureira, o jovem começou a interessar-se por este ramo a partir dos 9 anos.

“A minha mãe costurou durante vários anos e foi com ela que comecei a dar os primeiros passos nesse ramo. Aos 9 anos já sabia ajustar e colocar fecho nas minhas calças. Foi a partir daí que ganhei o gosto pelo corte e costura”, lembra.

Além de brincar de corte e costura, Cinzo ajudava a mãe na venda das peças. Estudava de manhã e à tarde vendia as peças. E assim passou a conhecer vários alfaiates com os quais viria a trabalhar mais tarde.

Aos 15 anos foi convidado pelo dono das Confecções Afiles, na Várzea, para trabalhar na empresa. “Aguinaldo Varela convidou-me para ir aprender mais sobre o corte e costura e foi a partir daí que tudo começou. Entrei como um mero aprendiz e após 2 anos sai de lá com um vasto conhecimento”, conta.

Depois trabalhou durante seis meses nas Confecções Alves Monteiro, onde diz ter aprendido a delegar funções. “Em corte e costura temos que saber delegar funções para poder realizar uma produção com eficácia e qualidade”, salienta.

Cinzo passou por vários ateliês de outros costureiros. Em 2012 fez  uma formação em Corte, Costura e Modelagem no Centro Paroquial Nossa Senhora da Graça, na cidade da Praia.

No mesmo ano, com sede de aprender, o jovem fez uma formação na área de empreendedorismo na Agência de Desenvolvimento Empresarial e Inovação (ADEI). De seguida, iniciou outra formação desta vez na área de gestão de negócio, mas não chegou a concluí-la, uma vez que já tinha começado a trabalhar com alguns clientes.

Em finais de 2012, já com um vasto conhecimento na área de corte e costura, Cinzo criou as “Confeções Moda Cinzo”, que viria a encerrar as portas no ano seguinte. “Não tinha experiência suficiente na área de gestão e a empresa foi assaltada”, esclarece.

Desanimado com os negócios, Cinzo voltou para a casa dos pais e durante 8 meses ficou longe da máquina de costura.

O jovem estilista revelou ao SAPO que em finais de 2014 começou a produzir peças para o cantor Zé Espanhol e de seguida começaram a “chover” encomendas de outros artistas como Gama, Lejemea e Eddu. “Praticamente, já tinha desistido, mas depois da demanda de alguns clientes resolvi continuar no ramo”, conta.

Em novembro de 2015, Cinzo foi trabalhar nas confeções Benzany, na Fazenda, onde permaneceu durante 15 dias. “Não parava de receber pedidos de alguns clientes então tive de parar para refletir”, diz.

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