Ariana Monteiro: “Fiz mastectomia e optei por fazer cirurgia de redução de risco do cancro no outro seio”

A socióloga de 38 anos tem um histórico familiar de cancro. Em pleno ‘mês rosa’, foi diagnosticada com cancro da mama, mas hoje é uma vencedora. Ariana Monteiro garante que a família foi o alicerce para a cura.

Ariana Monteiro descobriu, aos 35 anos, um nódulo na mama esquerda. “Estava de férias e durante uma brincadeira, o meu filho, na altura com 2 anos, bateu-me com a cabeça no seio e vi que algo estava anormal. Fiz o autoexame e decidi procurar um ginecologista que viu que tinha uma alteração no seio e pediu-me vários exames com uma certa urgência”, conta.

Depois de uma biopsia feita em Dakar, no Senegal, os resultados confirmaram o cancro da mama. “Estava sozinha em casa quando recebi a ligação do médico com a notícia que de facto era um tumor maligno, que se tratava de um carcinoma NST triplo negativo e que tinha que fazer o tratamento urgente”, lembra.

De seguida, ligou para uma amiga ginecologista no Mindelo que a aconselhou a procurar um especialista na cidade da Praia para ver se era possível ser evacuada o quanto antes para Portugal. “Entrei em contacto com a médica oncologista Hirondina Spencer no Hospital Agostinho Neto e no mês de dezembro viajei para Portugal para dar início ao tratamento no Hospital de Santa Maria em Lisboa”, salienta.

Pouco depois encarou a mastectomia parcial da mama esquerda, sessões de quimioterapia, radioterapia e foi firme do início ao fim do tratamento.

Ariana tem um histórico de cancro na família. A mãe faleceu há 8 anos de cancro de ovário e tem uma tia que teve leucemia. Durante o seu processo de tratamento, e depois de fazer uma avaliação/exame genético, foi comprovado que o seu tipo de cancro era hereditário e que havia uma propensão maior para o cancro da mama.

Como já tinha feito a mastectomia, optou por fazer cirurgia de redução de risco de cancro no outro seio. “A minha hereditariedade é uma mutação genética BRCA1 que faz com que haja grande possibilidade do cancro reaparecer. Os médicos aconselharam-me a fazer a cirurgia de prevenção, aceitei e fiz todo o processo. Considero-me uma vencedora e neste momento estou na fase de reconstrução do seio”, conta orgulhosa da sua decisão.

A autoestima e a vaidade ficaram em segundo plano. “Não sei se foi pelo percurso que tive com a minha mãe durante o seu tratamento, mas a força que tive foi normal. E pelo facto de estar sozinha em Portugal não pensava na vaidade. Pensava apenas na minha saúde e fazia tudo o que os médicos pediam. Queria a cura para poder voltar ao arquipélago, cuidar do meu filho e encontrar o meu marido e a minha família que estavam à minha espera”, salienta.

“Estar longe da família é a parte que mais pesa”

De acordo com Ariana, ter apoio da família nesta luta é fundamental em todos os aspetos. “Pelo facto de estar num momento de fragilidade, ter pessoas que amamos ao nosso lado a darmos força é muito importante. Quando estamos longe sentimos falta de tudo, até mesmo das pequenas coisas que nem dávamos importância no passado. Estar longe da família é complicado e é a parte que mais pesa”.

Ariana tem uma força e alegria de viver e foi na família e em Deus que buscou forças para vencer o cancro. “Sempre tive essa alegria. Já passei por várias coisas na vida e não me deixei cair. Sempre quis transmitir à minha família a mesma força que a minha mãe tinha. Também tem a fé. Sou católica e tenho muita fé. Fiz todos os tratamentos, a minha família apoiou-me e hoje estou aqui graças a Deus”, salienta.

Realça que a vida é uma caixa de surpresa. “Nunca estamos à espera de tal diagnóstico. Foi uma lição de vida e deu-me mais força. Se antes dava valor à vida, agora dou mais ainda. Mudei o meu estilo de vida completamente, em termos de alimentação, programas. Agora preocupo-me mais comigo e dou mais valor à família e aos amigos”, afirma.

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