Ser demasiado empático aumenta o stress e prejudica a saúde, mas isso pode ser treinado

Somos ensinados a ser mais empáticos e a ter compaixão com o mais próximo, mas sê-lo em demasia causa stress e pode levar ao esgotamento, defende investigadora do Instituto Max Planck para Ciência Cognitiva e Neurociência em Leipzig, na Alemanha.
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Quando vemos imagens de vítimas de guerra ou de crianças com fome, são os sentimentos de empatia e compaixão – ou a falta deles – que determinam se choramos, se sofremos, se queremos ajudar ou se desviamos o olhar e ignoramos.

"A empatia e a compaixão são apoiadas por diferentes sistemas biológicos e estruturas cerebrais", explica Tania Singer, cientista do Instituto Max Planck de Ciência Cognitiva e Neurociência, citada pela radiotelevisão alemã Deutsche Welle.

Segundo esta especialista, a compaixão é um sentimento de pesar associado ao desejo de confortar o próximo que gera um efeito positivo, reduzindo o sofrimento alheio. "São ativadas áreas do cérebro associadas à recompensa (...) que agem de forma positiva na nossa saúde", diz Singer, autora do livro "Compassion – Bridging Practice and Science" (Compaixão – Estabelecendo pontes entre a prática e a ciência, em tradução livre).

Já a empatia é a capacidade de sentir o que o outro sente. Os estudos mostram que o cérebro ativa uma rede neuronal que recorda experiências dolorosas, desfazendo a fronteira entre a própria dor e o sofrimento alheio. A aflição ao ver o sofrimento de outrem pode transformar-se em "stress empático" e "levar ao esgotamento", aponta a investigadora.

Num estudo em grande escala no Instituto Max Planck para Ciência Cognitiva e Neurociência em Leipzig, Singer examina os efeitos de diferentes técnicas meditativas sobre a capacidade de sentir mais compaixão. "O treino mental direcionado pode resultar em mudanças estruturais no cérebro, até mesmo em pessoas adultas", diz a especialista que frisa que a empatia e a compaixão podem ser treinadas.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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