Laços entre primos só perdem importância para os irmãos mas os amigos fazem-nos mais felizes do que a família

São cúmplices mas também, em certa medida, rivais. Ajudam a crescer e a adquirir a noção de integração e de pertença. No entanto, vários estudos asseguram que não são os melhores companheiros.

É um facto que não podemos escolher a família. Estamos, por isso, à partida, condenados a viver com os avós, com os pais, com os irmãos e com os restantes parentes que nos couberam em sorte. Mas, se não os podemos escolher, chega pelo menos a altura em que podemos decidir se os queremos manter ou não na nossa vida. E, a avaliar por um estudo da Universidade do Michigan, nos EUA, na hora de fazer uma escolha, a opção tende a ser simples.

Uma análise aprofundada do professor de psicologia William Chopik, que inquiriu 280.000 pessoas em 100 países, tornada pública pela revista Personal Relationships, afirma que, de um modo geral, à medida que vamos envelhecendo e o tempo passando, os amigos vão ganhando importância em detrimento da família porque nos fazem mais felizes, ainda que, em crianças, tenhamos passado muito e brincado muito tempo juntos.

No caso das crianças, tomar a decisão de privilegiar os amigos é difícil, para não dizer impossível, quando se trata da família nuclear. Mas o mesmo já não acontece à medida que os graus de parentesco vão aumentando. Tios e tios-avós, primos direitos e primos mais afastados, todos são da família, mas existem os preferidos, aqueles com quem ela tem mais afinidade e com que vai aprender o significado de pertença a uma comunidade.

Neste sentido, é aos primos, em especial aos que partilham a mesma idade ou idades parecidas, que cabe o importante papel de abrir a experiência social da criança. São menos que irmãos mas muito mais que amigos ou colegas de escola. Conhecem os valores e a dinâmica da família, partilham histórias e tradições e usufruem da cultura do agregado. Em Portugal, um país onde as ligações familiares continuam a ser muito fortes, tende a ser assim.

As ligações entre os filhos únicos e os primos

É cada vez mais frequente a existência de crianças sem irmãos. E, de acordo com os mais recentes estudos demográficos, é crescente a tendência para as famílias de filho único, pelo menos nos países ocidentais. À falta de um irmão ou de uma irmã, é com os primos que muitas crianças desenvolvem as fortes relações fraternas que não têm na família nuclear. Este fenómeno é cada vez mais visível à medida que crescem.

Se, nos primeiros anos, a relação com os pais e/ou os avós era suficiente, a partir da idade pré-escolar surgem outro tipo de necessidades de reforço dos laços familiares. É nessa altura que a criança se volta para a família alargada. É com um primo ou com os primos que brincam, passam fins de semana e/ou períodos de férias, que exploram o mundo e/ou que mais se metem em sarilhos.

Saem do pedestal do filho único e partilham a experiência de crescimento com crianças que têm a mesma origem. Os primos são também importantes como adversários. Rivais na procura do afeto dos adultos (com destaque para os avós que têm em comum) e nas conquistas. Ter um, ou vários, concorrentes não é por si só negativo. Pode ser impulsionador ou travar fenómenos de egocentrismo, defendem muitos especialistas.

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