Até que ponto a ligação entre duas irmãs pode influenciar o seu sucesso pessoal?

A pergunta é curiosa e até pertinente. E também desafia a pensar! Conheça as opiniões dos especialistas e leia os relatos de mulheres que já não conseguem imaginar a sua vida sem a presença da irmã.

Até que ponto a ligação entre duas irmãs pode influenciar o seu sucesso pessoal e profissional? Nada melhor do que perguntar a mulheres que têm irmãs e saber se existe mesmo uma ligação especial, que não é visível em nenhuma outra relação fraterna. «A minha irmã, que é artista plástica, vive entre Boston e Nova Iorque, mas a distância geográfica é indiferente à relação cúmplice que sempre tivemos», afirma Ana Cunha Almeida.

«Na semana passada, ao ler a mensagem que me enviou, onde dizia que tinha ganhado o Prémio Artist Fellow do Massachusetts Cultural Council, fiquei tão ou mais feliz do que ela, por saber o que representava», relatou, há uns anos, em declarações à revista Saber viver. O seu primeiro instinto, como revelou, era sair a saltar e contar a todo o mundo. «Sim, a Sónia Almeida é a minha irmã», desabafa.

«Por isso, quando contactei a psicóloga clínica e psicoterapeuta Magali Stobbaerts, para a ouvir falar sobre a importância de ter irmãos e o seu impacto na felicidade e na realização pessoal e profissional [para este artigo], não tinha dúvidas de que ter irmãos só podia ser algo maravilhoso. E fiquei a pensar até que ponto podem essas relações serem quase telepáticas», afirma ainda. Ainda assim, surpreendeu-se.

«Foi com espanto que a ouvi explicar que não há bases científicas e que os estudos que foram feitos ao nível da psicologia nestas áreas não são conclusivos», diz a especialista. «Ao contrário da importância de irmãos quando se fala de autismo, esquizofrenia ou mesmo delinquência, em que há imensos estudos feitos, nesta área da felicidade a psicologia sabe muito pouco», afirma Magali Stobbaerts.

Ter uma irmã não é o mesmo que ter uma amiga

Não há uma co-relação direta ou significativa que faça crer que uma relação saudável entre irmãos durante a infância possa traduzir-se em indivíduos mais felizes e realizados na idade adulta. Os estudos não o podem garantir e/ou comprovar e a realidade e o passar do tempo, por vezes, afasta, as pessoas. «O que a psicologia afirma é que aprendemos sempre com um modelo», explica Magali Stobbaerts.

«E, na infância, esse modelo é, à partida, assumido pelos pais», esclarece. «Portanto, pode considerar-se que uma boa relação de pais para filhos gera uma boa relação entre irmãos que resulta num crescimento equilibrado, com base nos valores de amizade e amor», prossegue a especialista. «A certeza que temos é que pode funcionar de forma preventiva», garantiu ainda em declarações à revista Saber Viver.

Também Fernando Santos, pedopsiquiatra do CADIn – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, reforçou à publicação a sua ideia de modelo de família. «A cumplicidade e relação entre os irmãos melhora claramente, quando na família estão bem definidos os papéis de cada um, é estimulada a autonomia e a participação em atividades que aumentem a sensação de pertença e integração no núcleo familiar», diz.

«E, sobretudo, são reforçados os fatores positivos de cada um dos filhos (porque sendo irmãos têm características diferentes que podem ser reforçadas)», acrescenta ainda. Sónia Casneuf, socióloga e sócia-gerente da empresa E.M. – Estudos de Mercado e Sondagens de Opinião, tem na relação com a sua irmã, Sofia Casneuf, um bom exemplo, como revelou à revista em meados da década.

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