Potencial das células do cordão umbilical no tratamento do cancro

Nas últimas décadas, a área da oncologia tem sido alvo de investigação intensiva, com o objetivo de encontrar tratamentos cada vez mais eficazes. Mais recentemente, têm sido desenvolvidos ensaios pré-clínicos (em animais) e clínicos (em humanos) para avaliar o potencial terapêutico das células estaminais, nomeadamente do sangue do cordão umbilical, no tratamento de diversos tipos de cancro. Um artigo da investigadora Bruna Moreira, da Crioestaminal.
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Um grupo de investigadores do MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, desenvolveu um estudo sobre a utilização de células do sangue do cordão umbilical modificadas para tratar alguns tipos de linfomas e leucemias.

Os investigadores utilizaram as células “Natural Killer” (NK), células do sistema imunitário com uma apetência inata para reconhecer e eliminar vários tipos de células infetadas ou disfuncionais presentes no organismo. Os resultados deste estudo foram recentemente publicados na revista Leukemia.

Até à data, a utilização de células modificadas para localizar e eliminar células cancerígenas centrava-se na recolha de células T - um tipo de células do sistema imunitário. Este método baseia-se na colheita das células do doente, seguida da sua modificação e reinfusão no próprio após  quimioterapia, ajudando a eliminar células cancerígenas remanescentes.

Contudo, esta metodologia apresenta inconvenientes, já que o doente tem de esperar algumas semanas até que as células modificadas possam ser utilizadas para o tratamento, uma situação pouco favorável em doenças de evolução rápida.

Para contornar estas limitações, os investigadores utilizaram células “Natural Killer” (NK), células do sistema imunitário com uma apetência inata para reconhecer e eliminar vários tipos de células infetadas ou disfuncionais presentes no organismo.

Através do método agora desenvolvido, é possível modificar células NK do sangue do cordão umbilical para que estas consigam mais eficazmente localizar e destruir células cancerígenas. A modificação permite também que as células permaneçam durante mais tempo no organismo. As células NK modificadas podem persistir durante meses e produzir um efeito antitumoral mais prolongado.

As células NK modificadas demonstraram grande capacidade de multiplicação e, em testes em modelo animal, migraram para locais afetados pela doença, produzindo efeitos notáveis na eliminação de células tumorais. Atualmente, decorre, no MD Anderson Cancer Center, um ensaio clínico em 36 doentes oncológicos para testar este método de tratamento.

A metodologia agora desenvolvida permite potenciar a capacidade das células NK para localizar e eliminar células cancerígenas causadoras de certas leucemias e linfomas. Embora seja possível recolher células NK do doente, estas apresentam uma capacidade de tratamento limitada. Como não são necessários testes de compatibilidade para administrar células NK, estas podem ser isoladas de forma relativamente fácil a partir de sangue do cordão umbilical.

As unidades criopreservadas podem ser utilizadas prontamente para obter células NK para tratamento, o que representa uma vantagem muito significativa para os doentes.

Assim, este novo estudo, e a demonstrarem-se resultados positivos no ensaio clínico a decorrer, aponta para que a modificação de células NK para localizar e eliminar células cancerígenas possa tornar-se uma alternativa para o tratamento de uma grande variedade de tumores em doentes oncológicos, o que pode representar uma evolução muito significativa no tratamento destas doenças.

As explicações são de Bruna Moreira, investigadora da Crioestaminal.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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