OMS: Há uma transformação na lógica de planificação de Saúde em Cabo Verde

O representante da Organização Mundial de Saúde (OMS), Mariano Castellón, disse quinta-feira em São Filipe que se assiste a uma transformação da lógica de planificação de Saúde em Cabo Verde, partindo de base para o topo na sua elaboração.

Representante da Organização Mundial de Saúde

créditos: Inforpress

O representante da OMS, que falava na abertura do ateliê de validação do plano de desenvolvimento sanitário para a região Fogo e Brava para 2017-2021, cuja elaboração contou com assistência técnica daquela organização, regozijou-se com o facto de poder testemunhar essa transformação da lógica de planificação de saúde, que, segundo o mesmo, “está a ser feito de baixo para cima”.

Um dos benefícios que esta lógica traz é o de reconhecer o cenário local como o privilegiado para actuação para produzir saúde como projecto social e para pôr em prática uma das grandes definições deste novo ciclo político, que é fortalecer o processo de desconcentração e descentralização.

Mariano Castellón, na sua intervenção, reconheceu o “bom” trabalho realizado por Cabo Verde ao longo dos 40 anos da sua independência e de ter um dos melhores indicadores de saúde da região africana da OMS, mas que indicado como um país de desenvolvimento médio, Cabo Verde tem desafios para continuar a desenvolver a saúde da população.

“A carga da doença em Cabo Verde em três categorias: doenças transmissíveis, doenças não transmissíveis e lesões”, disse Mariano Castellón, indicando que o peso principal da carga de doenças em Cabo Verde é as não transmissíveis e lesões.

Segundo o mesmo, o país tem de resolver um núcleo central das doenças transmissíveis, nomeadamente as transmitidas por mosquitos, como a Malária, acrescentando que o país está a fazer um “grande esforço”, com apoio da OMS, para passar da fase de pré-eliminação para a de eliminação, mas também e sobretudo devido à sua posição geopolítica, as doenças como dengue, febre-amarela, zika e outras.

No seu entender, há um esforço para resolver e estabilizar o controlo da doença transmissível por mosquito e que para tal é necessário aprimorar o sistema de vigilância epidemiológica, trabalhar com plataforma e conceito de rede, privilegiar o cenário local e pôr em prática o compromisso de aplicar o regulamento sanitário internacional.

“Cabo Verde tem uma situação geopolítica privilegiada, é a porta de entrada e saída de mercadorias, serviços, investimentos, pessoas e riquezas, mas também de doenças transmissíveis e que afetam três grandes regiões no mundo, América Latina, Europa e África”, disse o representante da OMS, para quem Cabo Verde tem “grande responsabilidade” com a saúde global.

O plano de desenvolvimento sanitário da região Fogo e Brava enquadra-se no plano sanitário nacional elaborado pelo Ministério da Saúde e Segurança Social e na sua elaboração, além da consultoria externa, contou com a participação de técnicos das estruturas de saúde das duas ilhas, permitindo assim a sua melhor adequação à realidade da região.

O diretor da região Sanitária Fogo e Brava, Luís Sanches, destacou na sessão de abertura do ateliê a importância do plano para o setor de saúde nas duas ilhas, apontando um conjunto de benefícios para a sua população.

O plano é apresentado simultaneamente na Brava e no Fogo, sendo que o ministro da Saúde e Segurança Social, que se encontra desde segunda-feira na ilha Brava, fez a abertura esta quinta-feira na ilha Brava e, sexta-feira, estará no encerramento do ateliê na ilha do Fogo.

Depois da apresentação do documento em plenária, criou-se vários grupos de trabalho para discussão do plano e apresentar sugestões e subsídios para o seu enriquecimento.

Comentários