Diabetes: Seguir à risca os hábitos saudáveis nem sempre depende da nossa vontade, afirma doente

A diabetes afeta mais de 12 por cento (%) da população cabo-verdiana e para reduzir essa prevalência os médicos recomendam uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis, mas nem sempre essas rotinas estão ao alcance de todos os doentes.
créditos: Inforpress

É o caso de João Baptista dos Santos, 74 anos, pensionista do Estado, que lida com a doença há mais de 10 anos, sendo insulina-dependente.

Em declarações à Inforpress, durante uma atividade da Associação dos Diabéticos de São Vicente, para marcar o Dia Mundial dos Diabéticos, que se assinala hoje (14 Novembro), João Baptista dos Santos revelou a sua “dura rotina”.

Residente no bairro da Bela Vista, subúrbio do Mindelo, este paciente, cujos membros inferiores encontram-se débeis, desloca-se todos os dias, com ajuda de uma bengala, às 06:00 para a sede da associação, na Fonte de Cónego, para recebe a primeira dose diária de insulina em forma de injeção.

No caminho de regresso fica pelo pelourinho da Ribeirinha, porque, diz, a jornada é “demasiada longa”, e ainda terá que regressar às 17:00 para receber a segunda dose do medicamento.

“É no pelourinho de Ribeirinha que permaneço a maior parte do dia. Só regresso à casa da minha sobrinha, minha única parente próxima, ao final da tarde para dormir. Às vezes, quando der, compro a minha refeição ali mesmo com a engenharia que faço aos 4900 escudos, valor da pensão “, contou.

João Baptista dos Santos explicou que a sua alimentação depende na maioria das vezes daquilo que encontra à venda na barraca onde almoça no pelourinho.

“Não tenho muita opção. Seguir à risca as recomendações médicas sobre os hábitos alimentares nem sempre depende da nossa vontade”, revelou.

João Baptista dos Santos diz “sentir na pele” muitas vezes a “agressividade dos sintomas da doença”, o que já o levou ao internamento durante um mês no Hospital Baptista de Sousa em tratamento, pelo que agora realiza consultas trimestrais de controlo.

História diferente tem a doente Maria José Carvalho, também de 74 anos, ex-emigrante na Itália, elogiada pela sua nutricionista por seguir à risca os hábitos alimentares recomendados.

Diagnosticada recentemente com a diabetes o seu principal foco, segundo contou à Inforpress, é trabalhar na prevenção das consequências que a doença pode acarretar.

“Não sou dependente de insulina, por isso para evitar chegar a esse ponto faço controlo regularmente, sigo à risca todas as recomendações médicas e evito o consumo do açúcar e alimentos que são prejudiciais a saúde”, elucidou.

Segundo o médico Luciene Alexandre Andrade, a diabetes do tipo 2 é a que mais afeta a terceira idade e é preciso ter, para além de hábitos saudáveis, um “cuidado redobrado” com os pés para verificar se não há fissuras, comichões ou urssulas que revelam a doença no seu estado avançado.

Conforme revelou este cirurgião, em cada 30 segundos no mundo um membro é amputado por causa da diabetes e na região sanitária do Barlavento, assim como em todo o país, a tendência é para o “aumento de casos de amputação”.

“É uma situação preocupante que acarreta grandes custos para o sistema da saúde e para o próprio paciente, que é obrigado a adaptar-se a uma nova realidade, dai a importância da prevenção”, recomendou o especialista.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2014 existiam mais de 382 milhões de pessoas portadores de Diabetes Millitus e que esta patologia poderá atingir 471 milhões de pessoas em 2035.

No contexto cabo-verdiano a Diabetes vem aumentando desde a década de 1980 e 99% dos casos são diabetes do tipo 2 que afeta paciente acima dos 45 anos.

Do programa da Associação de Diabéticos de São Vicente para celebrar o Dia Mundial dos Diabéticos, destaque para a realização hoje, na sede da Delegacia de Saúde de São Vicente, de um “hiperdia para os diabéticos” e despistagem da doença nos centros de Saúde e na sede da associação.

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