Baile do MET: tudo o que precisa de saber sobre o evento de moda do ano

Considerado um dos eventos mais importantes do mundo da moda, o Baile do MET tem lugar a 1 de maio. Mas qual o objetivo e como se prepara um evento desta magnitude?

"Rei Kawakubo/Comme des Garçons" é o tema escolhido pelo Metropolitan Museum of Art (MET) para o próximo baile e exibição que se irá realizar na primeira segunda-feira de maio em Nova Iorque.

“A Rei Kawakubo é uma das designers mais importantes e influentes dos últimos 40 anos”, explicou Andrew Bolton, curador do The Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, à revista Vogue. “Ao convidar-nos a repensar a moda como uma área de constante criação, reconstrução e hibridez, ela acabou por definir a estética do nosso tempo.”

De acordo com a publicação de moda, a exibição vai contar com 120 designs da estilista, passando em revista grande parte da sua carreira, e que vão estar dispostos em pelo menos três secções: Este/Oeste, masculino/feminino, passado/presente.

Esta exibição destaca-se por ser o primeiro evento monográfico a ser realizado no museu desde os anos 80, altura em que teve lugar a exibição de Yves Saint Laurent. Para além disso, este ano o MET optou por não colocar os manequins dentro de vitrines de vidro, permitindo uma maior proximidade com os visitantes.

Mas como é organizado e qual o objetivo daquele que é considerado um dos maiores eventos sociais do ano?

Organização e objetivo do evento

O Baile do MET é um evento de beneficência organizado pelo Costume Institute do Metropolitan Museum of Art (MET) cujo objetivo é angariar fundos para se auto-financiar durante os próximos 12 meses. Só no ano passado, o MET conseguiu angariar mais de 12 milhões de euros. O evento serve de momento inaugural para a exposição de moda que todos os anos é organizada pelo Costume Institute e que só abre ao público no dia seguinte.

“A moda era vista como frívola e trivial quando comparada com as belas artes no século XIX, mas a verdade é que tinha um conceito, uma estética, determinadas regras, técnicas refinadas... Ou seja, tudo aquilo a que sujeitamos o critério de arte. Olhamos para as roupas como obras de arte”, afirmou durante o documentário 'The First Monday in May' (2015) Harold Koda, antigo curador responsável do Costume Institute, que está localizado num piso subterrâneo do MET e que alberga a maior coleção de moda do mundo.

O estilista britânico Alexander McQueen, que cometeu suicídio em 2010, foi uma figura fulcral nesta aceitação e mudança de mentalidade perante a moda como forma de arte. Em maio de 2011, o MET inaugurou Alexander McQueen: Savage Beauty, uma exposição em honra do estilista que se tornou na terceira mais visitada do Costume Institute.

Preparativos e decoração

O baile do MET começa a ser preparado com cerca de oito meses de antecedência sob o pulso firme de Anna Wintour, editor in chief da Vogue e trustee do Costume Institute. “É frustrante porque nem sempre se compreende a narrativa e complexidade do evento do ponto de vista do designer. Tento não prestar atenção à opinião dos outros em termos de expectativas e tento confiar na minha decisão. Muitas pessoas têm uma compreensão superficial sobre a moda. Sobrestimam o poder que as peças de roupas têm em contar uma história ou tocar a vida das pessoas”, referiu Andrew Bolton, curador responsável do Costume Institute, durante o documentário a propósito da exposição China: Through The Looking Glass.

Após a seleção dos estilistas, a exibição começa a ganhar forma num storyboard onde constam as criações selecionadas para integrar a exposição e com que objetos de arte irão ser conjugadas. Para além de supervisionar as instalações e o design da exposição, Anna Wintour fica encarregue de elaborar a lista de convidados, organizar as mesas, pensar na decoração e na iluminação do evento.

Recorde-se que a relação entre o Costume Institute e a Vogue é algo que já vem desde os anos 70, altura em que Diana Vreeland se tornou consultora no Costume Institute do MET após abandonar o cargo de editor in chief da Vogue. Contudo o primeiro baile do MET teve lugar em 1948 pela mão da publicista Eleanor Lambert que começou o evento como uma atividade filantrópica para a elite nova-iorquina.

Tema do evento, dress code e convidados

Todos os anos a organização divulga o tema da exposição preparada pelo Costume Institute que poderá refletir-se, ou não, na indumentária escolhida pelos convidados. Este ano a estilista Rei Kawakubo incentivou os presentes a pensarem fora da caixa na hora de escolherem o seu look.

É de destacar que cada criador de moda costuma escolher uma celebridade que, para além de o acompanhar ao evento, deverá vestir uma criação assinada por si. Esta é uma forma dos designers escolhem a sua musa, ou seja, a pessoa que melhor define a estética dos seus designs.

Apesar da vertente solidária do evento, a verdade é que nem todos os convidados são obrigados a pagar 27,500 euros por um bilhete ou 252 mil euros por uma mesa. As excepções à regra aplicam-se em duas situações: as celebridades que são convidadas pelos designers para o evento e os estilistas que, por estarem em início de carreira ou não terem possibilidade de comprar o bilhete, são convidados por Anna Wintour.

O Baile do MET, que este ano será organizado pela cantora Katy Perry e pelo produtor Pharrell Williams, desenrola-se da seguinte maneira: após passarem pela passadeira vermelha e cocktail, os convidados são os primeiros a fazer uma visita pela exposição. O evento termina com um jantar e a atuação de um artista convidado pela organização.

Este ano acredita-se que a lista de convidados não deverá ultrapassar as 600 pessoas.

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