ICCA quer potencializar “boas práticas” e eliminar as “menos boas” na formação das crianças e adolescentes dos centros

A presidente do ICCA manifestou ontem a intenção do instituto em potencializar as “boas práticas” e eliminar os aspetos “menos bons” para o bem da educação das crianças e adolescentes acolhidos nos centros.
créditos: Inforpress

Maria José Alfama manifestou essa intenção à imprensa,  à margem da ação de capacitação para os gestores e candidatos dos centros de atendimento e acolhimento de crianças e adolescentes, realizada hoje pelo Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente (ICCA), na Cidade da Praia.

“Existem neste momento novas práticas, em outras paragens, pelo que devemos refletir sobre a nossa prática diária, sobretudo, para potencializar as boas práticas e colocar o dedo na ferida nos aspetos menos bons que teremos de, a curto prazo,  pôr fim, para elimina-los a bem das crianças e adolescentes que acolhemos”, disse.

Neste aspeto, a presidente do ICCA apontou a proximidade que deve existir entre o pessoal operacional e as crianças e adolescentes, as práticas rotineiras do apoio para preparação das aulas e dever escolar, como exemplo menos bons e que devem ser reforçados.

A necessidade de mais  afeto é, também, apontado como uma prática “menos boa” na experiência de ensinamento no ICCA, pois , sublinha, os acolhidos são crianças que vêm de famílias com problemas, pelo que, defendeu,  é preciso uma atenção especial.

Segundo aquela responsável, a intenção da instituição é organizar um projecto de vida para os adolescentes, que precisam ser trabalhados no sentido de ganharem autonomia, e para as crianças o trabalho será voltado para um programa específico.

Para além desta faceta, Maria José Alfama  adiantou ainda que a instituição vai, a partir de agora, trabalhar para reforçar o seu papel junto da família e comunidade, num exercício mais voltado para ações de “dentro para fora” e não apenas nos centros.

“Isso porque, o numero de casos de negligencia e conflito é muito mais do que a de violação sexual, tendo aumentado três vezes mais, em 2016, atingindo uma cifra à volta dos trezentos e tal, entre denúncia e atendimento”, sublinha, mostrando-se preocupada com esta situação.

Por esta razão, realçou,  o ICCA pretende que o projeto “Escola de Família” se transforme num programa que abarca vários tipos de família e não apenas os jovens e adolescentes que estão no centro.

“O Centro de Emergência conta com 68 crianças, e há centros que acolhiam crianças só porque a família é muito pobre. A pobreza não pode ser motivo para que a criança esteja nos centros”, sublinhou.

Neste caso, realçou que a  articulação deve ser feita com a Direção-Geral de Inclusão Social e outros parceiros, para que se trabalhe a questão da atividade geradora de rendimento e os cuidados das crianças e adolescentes na família.

A ação de formação, na qual participaram coordenadores e potencias candidatos a coordenadores,  enquadra-se no âmbito do reforço institucional do ICCA.

No decorrer da capacitação de um dia, os participantes receberam mais conhecimento sobre “Gestão Emocional”, “Liderança”, “Gestão Operacional”, entre outros.

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