Quem é Mariana Ramos?

Sou uma cantora cabo-verdiana que reside em França mas que regressa sempre a Cabo Verde.

Aonde nasceste e como foi que foste para à emigração?

Eu nasci em Senegal e aqui vivi até aos 3 anos. Meus pais viviam em São Vicente na zona de Monte Sossego. Eles casaram-se e depois decidiram emigrar para França e deixaram os seus filhos com os avós em São Vicente. Tinha 8 anos quando me levaram para França.

Onde é que sentes em casa?

Mariana Ramos
créditos: Revista Sempre Viva

Eu tenho dois países no meu coração: Cabo verde e França.

Lembraste-te como foi o teu primeiro contacto com a França?

Eu era criança quando cheguei em França e foi fácil aprender a língua porque os meus pais falavam francês. Como todos os emigrantes, os meus pais tinham algumas dificuldades em integrarem-se e em encontrar trabalho e casa para uma família de 6 pessoas.

Fala-nos um pouco do teu núcleo familiar e como foi a tua infância?

Cresci no meio da música. O meu pai Toy de Bibia tocava em casa com a sua guitarra, acompanhando a minha mãe que cantava morna. Ela gostava muito de cantar e dançar. Quando cheguei em França, descobri a dança clássica pela qual me apaixonei. Concentrava-se a imitar ballet no espelho e os meus irmãos troçavam-se de mim mas eu não me importava com isso.

Qual era a relação que tinhas com a tua mãe?

A relação com a minha mãe era boa. Ela era uma mulher que lutava muito para que os seus filhos realizassem os seus sonhos.

Como surgiu o gosto pela música?

Sentia muito emocionada quando o meu pai tocava e a minha mãe cantava morna e assim desenvolvi o gosto. Desde pequena eu cantava em francês e em inglês.

Fala-nos da tua trajectória como artista.

Foi difícil quando passei de amador para profissional. Já tinha dois filhos para criar sozinha e não tinha certeza da minha escolha porque no início de uma carreira musical as dificuldades financeiras são muitas.

Qual o momento que mais te marcou? Já lançaste quantos discos?

Sinto que hoje estou no momento mais marcante da minha carreira, com o meu último CD “QUINTA” que é um trabalho que me deixa muito orgulhosa. Para além da cumplicidade com o diretor musical Toy Vieira, o repertorio é tradicional e foi gravado em Cabo verde com composições de autores de algumas ilhas. É também o primeiro lançamento em minha terra.

Como é a vida de uma artista cabo-verdiana na emigração? Sentes que o teu trabalho é bem recebido?

Em geral, a música cabo-verdiana é bem recebida em toda a parte do mundo principalmente em França, terra onde Cesária Évora teve sucesso e onde eu também encontrei sucesso no palco.

A comunidade Cabo Verdiana como reage nos teus concertos?

Até agora a comunidade cabo-verdiana frequenta pouco os concertos dos artistas cabo-verdianos.

Sentes-te muito acarinhada em Cabo Verde?

Mariana Ramos
créditos: Revista Sempre Viva

Sem dúvida. Há cinco anos que venho sempre actuar em Mindelo e na Praia. Com esse novo álbum eu gostava de atuar em outras ilhas.

Tens alguma ligação ou pertences a algum grupo ou associação de emigrantes cabo-verdianos?

Em França fui fundadora com outras mulheres de uma associação “Crianças de hoje e de amanha” para ligar crianças com a cultura cabo-verdiana e fiquei madrinha dos eventos culturais.

Como avalias a actuação da mulher na música?

Estou feliz ao ver tantas mulheres cantoras com tanto talento e que estão a desenvolver-se na música tradicional. Como dizem em França “vive les femmes”.

Como defines a mulher Cabo-verdiana?

A mulher cabo-verdiana tem sempre muita coragem para lutar pela vida. A sua condição evoluiu muito bem na nossa terra mas temos que continuar a lutar pela nossa emancipação.

Que conselhos deixas às mulheres Cabo- verdianas?

Para continuar a serem guerreiras pela vida e para acreditar nos seus sonhos.

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