A socióloga cabo-verdiana, Miriam Medina criou em finais de maio uma página online intitulada “Sem.tabus”, onde são partilhadas, sem preconceitos, várias histórias de cabo-verdianos. O objetivo da página é retratar assuntos que são ainda considerados tabu na sociedade.

Em entrevista ao SAPO, Miriam Medina diz que a ideia surgiu durante as palestras sobre a violência no namoro que ministrou tanto no país como no Brasil.

“Ao ministrar as palestras, constatei que ao falar de sexualidade algumas mulheres ficavam constrangidas. No meu entender, não podemos estar a falar do empoderamento feminino, quando não se conhece o próprio corpo e tem-se receio em falar sobre os desejos e vontades. Quando falo sobre sexualidade quero ir muito além da saúde sexual e da prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, entendi que seria interessante ter um espaço de partilha, onde as pessoas que não têm problema em falar dos seus traumas, desejos e das suas lutas pudessem inspirar os outros”, explica.

A socióloga deixa claro que não é psicóloga de formação nem especialista quando o assunto é a sexualidade da mulher, mas diz que devido ao trabalho que tem vindo a desenvolver na sua área de formação, várias pessoas a procuram para abordar os seus problemas.

“As pessoas que entram em contacto comigo, principalmente as que não conheço, querem apenas alguém que lhes dê atenção e se me procuram é porque deixo algo ‘semeado’, nas suas mentes e corações (depois das palestras). Isso deixa-me feliz e faz-me pesquisar e estudar para entender as suas expectativas. Mesmo assim aconselho sempre a procurar um profissional da área, por mais que me digam que levo leveza para as suas vidas”.

Desde o seu surgimento, várias histórias já foram divulgadas na página Sem.tabus sobre temas como a deficiência, o nanismo e a gravidez, a homossexualidade no feminino, a depressão e a automutilação e o cabelo afro enquanto identidade. “Há histórias tão fortes e sofridas, que às vezes, demoro três dias para descreve-las”.

“As histórias que já estão na página têm tido um impacto enorme na vida das pessoas, tanto que tenho recebido mais mensagens de outras pessoas que também querem partilhar as suas histórias. O bom disso tudo é que as pessoas sentem que não estão sozinhas e os relatos têm sido multiplicadores e reconfortantes”, afirma e diz que os seguidores da página têm demostrado uma grande empatia com quem partilha as histórias.

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