Em meados de dezembro de 2017, a jovem praiense Edira Baptista, formada em Biomedicina, começou por fazer uma experiência e ‘criou’ um queijo “exclusivo”. Atualmente, com dois meses no mercado, na capital do país, o produto tem conquistado o paladar dos praienses. “O meu objetivo é fazer um queijo diferente mas com qualidade”.
“Nunca pensei em fazer queijo e nem sabia como funcionava o processo do fabrico do mesmo. Quando vi que podia ser um mercado promissor, recorri à internet e a alguns livros oferecidos por amigos para aprender a fazer queijo e quais eram as suas propriedades físicas/químicas/biológicas”.
As primeiras experiências de produção do queijo artesanal não correram como o esperado, mas a jovem foi persistente até conseguir o produto que tem hoje no mercado.
“Como não tinha conhecimento de como coalhar o leite, a primeira tentativa não resultou porque coloquei sal no início do processo o que acabou por inibir a ação do coalho. A partir daí, as coisas foram evoluindo até que consegui o produto que tenho hoje, um queijo suave, que derrete na boca e com baixo teor de sal e gorduras e sem corantes e nem conservantes”.
O “Requinte” oferece aos clientes vários sabores e variedades de queijo desde o fresco ao curado. “Faço queijo tipo camembert, brie e prato. Tenho queijo com sabor de vinho, alecrim, pimentão, azeitonas, linguiça, sementes de sésamo, alho e orégano, uva-passa, bem como recheado com doce de leite, goiabada e manga, para os mais gulosos. Faço também requeijão”.
No que se refere aos preços, a jovem empresária diz que variam de acordo com o sabor. O queijo tradicional (branco) custa entre 150 a 200$00, com linguiça 300$oo, com azeitona 250$00, camembert 500$oo e o curado varia dos 450$00 aos 500$00. “O queijo curado ainda não está disponível para à venda, visto que, demorada um mês a ficar pronto”.
“Produzir queijo no país é complicado. Este ano, por exemplo, por causa da seca há escassez de leite, a minha principal matéria-prima, o que acabou por encarecer um pouco o produto , mas mesmo assim o preço está acessível”, salienta e afirma que o leite é oriundo da zona Monte Negro, na cidade da Praia.
O queijo “Requinte” está há dois meses no mercado da capital do país e, segundo Edira Baptista, o produto tem conquistado o paladar dos praienses. “O feedback tem sido bastante positivo. Não estava à espera”.
“Comecei por fazer queijos para um grupo de amigos e familiares. Gostaram do queijo e sugeriram que passasse a vende-lo. Ainda lembro que o primeiro queijo que vendi não tinha rótulo, mas mesmo assim as pessoas compraram. Tenho recebido várias encomendas, tanto é que, a procura tem sido maior que a oferta”.
As encomendas do queijo da jovem, que trabalha também no setor da Indústria Alimentar como Gestora do Laboratório e Controlo de Qualidade, podem ser feitas na página do produto no Facebook. É possível adquirir o queijo Requinte no supermercado Multichoice, na localidade do Palmarejo.
Os produtos da marca já foram apresentados no Hotel Praia Mar e no espaço D Concept, no Plateau.
“Não gostava de fugir da produção artesanal”
Segundo Edira Baptista, abrir uma empresa no país é um processo complicado. “Há muitas limitações e não é algo fácil. Mas também não acho que é algo impossível. Penso que a partir do momento que focamos num produto de qualidade, que o nosso mercado está a precisar, podemos ter muitas oportunidades”.
Deixar a produção artesanal não faz parte dos planos da jovem empresária. “O nosso mercado é limitado, mas não gostava de fugir da produção artesanal. Não quero passar para uma produção industrial porque acho que no artesanal tenho mais flexibilidade para trabalhar com os clientes. Neste momento, faço a produção de acordo com o pedido. Se um cliente for hipertenso, posso reduzir o sal. E depois tem o outro lado que é a questão de empregabilidade, em vez de ter máquinas pretendo empregar pessoas. Quero agregar valor ao meu produto”, salienta a jovem que trabalha sozinha neste projeto.
Expandir para as outras ilhas é um dos objetivos de Edira Baptista, mas diz, que para já vai permanecer pela cidade da Praia. “O queijo da capital não é reconhecido como um bom queijo e o meu objetivo é quebrar um pouco disso. Na Praia também somos capazes de fazer um queijo tão bom como nas outras ilhas”.
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