Em declarações à Inforpress, por ocasião do dia de São Valentim, que se comemora quarta-feira, 14, Nilson Mendes afirmou que os adolescentes estão a iniciar o namoro cada vez mais cedo, isto porque o mundo está mais globalizado, há uma sociedade aberta e pais mais tolerantes.

Segundo o psicólogo, trata-se de um namoro prematuro, pois nessa ideia os adolescentes encontram-se na fase de descobrimento, de definir a sua personalidade e na construção da autoestima.

Tendo em conta que a personalidade ainda está em construção, alertou, o jovem submete-se a tudo no início do relacionamento.

Neste inicio, considerou, tudo é “cor-de-rosa e uma maravilha”, uma vez que o adolescente está a viver uma “paixão ou um desejo” e deixa-se levar na aventura que muitas vezes se torna perigosa.

“A pessoa que está numa relação perde a noção do Eu e passa a vivenciar o outro, o sofrimento do outro, o sentimento do outro, a paixão do outro e deixa de viver o seu sentimento”, disse, ajuntando que isto traz consequências na vida das pessoas, porque para que tenham uma relação estável, longa ou comprometedora, precisam ter a personalidade definida.

Ainda no início do namoro, apontou, situações como enviar mensagem a cada cinco minutos perguntando ao outro onde está e com quem, ou ficar chateado porque não recebe uma mensagem de volta ou porque a chamada foi rejeitada, é considerada normal.

Mas, com o passar do tempo, este gesto, que antes parecia inofensivo, se revela como algo possessivo, de controlo ou de poder que o parceiro quer ter sobre o outro, precisou.

“Uma relação na base de desconfiança, obviamente, não tem sucesso, uma relação que hoje é cheia de ameaças, futuramente, torna-se real, mas o que mais me preocupa em termos de violência é deixar isso passar”, explicou, precisando que “hoje é uma pegada, amanhã é um empurrão ou chantagem” e que depois pode “terminar em morte”.

Ajuntou que a vítima procura uma desculpa para justificar o ato de violência, como por exemplo que o parceiro estava chateado ou porque estava bêbado.

São esses sinais, segundo a mesma fonte, que mostram que o relacionamento pode ser conflituoso, pode gerar violência ou até pode terminar em feminicídio, considerou a mesma fonte.

Nilson Mendes advogou que é preciso ter um olhar diferenciado e impor limites em relação a essas situações logo no início do relacionamento, para que o namoro não caía na numa fase de frustração e termine.

Muitos companheiros, disse, não aceitam o término da relação e partem para agressão, perseguição ou feminicídio.

Em 2018, sete mulheres perderam a vida às mãos de companheiros ou ex-companheiros e segundo a mesma fonte, o feminicídio é o culminar de um relacionamento conflituoso à base de violência verbal, psicológica e física.

Algumas das vítimas, disse, não denunciam o parceiro logo no início das agressões, porque a situação financeira da família depende do companheiro, ou porque defendem o bem-estar da família e outros, pois a “paixão os deixa cegos”, entre outras razões.

Nilson Mendes aconselhou os casais a analisar bem, durante o relacionamento, se aquela pessoa é a ideal para se formar uma família, se este relacionamento está a pôr em causa o bem-estar físico e o equilíbrio emocional da pessoa.

Um relacionamento para ter sucesso, sublinhou, tem de transmitir segurança e confiança, tem de cultivar o diálogo e o amor-próprio, tem de ter reciprocidade, ou seja, dar e receber.

Continuou, os casais devem evitar discussões e comportamentos que o companheiro não goste, devem adaptar-se uns aos outros, superar as falhas juntos e procurar a harmonia.

“Namorar não quer dizer mudar o outro ou fazer com que o outro seja como eu quero, mas pelo contrário, é adaptar a vivência, o estilo, o sentimento do outro e quando isso acontece facilmente conseguimos ter um bom diálogo”, advogou.

O psicólogo considerou que quando se mistura estes ingredientes, naturalmente, a pessoa terá sucesso, não só no relacionamento, mas também pessoalmente.