Uns meros segundos podem mudar o rumo de uma vida. No caso do britânico Lee Jeffries, um olhar fugaz quando se preparava para correr a maratona de Londres, em 2008, iria desencadear uma teia de acontecimentos impensáveis para o então fotógrafo amador.

Nascido em Manchester, Jeffries é um viajante de muitas latitudes e longitudes. Certo dia, quando corria a maratona na capital londrina, o então contabilista, acercou-se de uma jovem que se enrolava num saco de dormir, próximo a Leicester Square.

Ao olhar treinado pelos anos de fotografia, atividade que Lee Jeffrie desempenhava nos tempos livres, não escapou o carisma da jovem. Mais contribuiu a história que esta lhe contou. O maratonista acabou, dias mais tarde, por fotografar a jovem e, com esta primeira sessão de fotografias espontâneas, traçar o destino dos anos subsequentes da sua vida.

Hoje, Lee Jeffries, ex-contabilista, fotógrafo de profissão e maratonista nos tempos livres corre as principais capitais mundiais em busca dos rostos perdidos nas ruas. Chama a estes sem-abrigo os “Lost Angels” (“Anjos Perdidos”), título também do álbum de imagens que deu aos escaparates.

O britânico que não se intitula fotógrafo, antes um artista e um humanista não tira uma fotografia sem que antes passe horas a conversar com o ser humano visado na sua objetiva. Lee quer tocar para além da superfície, das peles sujas, dos cabelos desgrenhados, das roupas tornadas farrapos. O artista procura estabelecer uma ligação com a essência da pessoa que se torna o seu objeto de criação.

Para Jeffries, “a emoção está nos olhos”, algo que transcende o palpável nas fotografias a preto e branco majestosas que nos entrega. O produto do trabalho do artista inglês reverte para fundos de apoio aos sem abrigo.

“Saio para as ruas em busca de refúgio. Quando conheço os sem-abrigo, eles são tão solitários quanto eu. Consigo reconhecer a solidão nos olhos de alguém”, confidencia o fotógrafo numa longa entrevista ao site da Nikon.

Ainda na mesma conversa Lee Jeffries confidencia que “uma das minhas maiores influências fotográficas veio das aulas de história, com as imagens assustadoras, a preto e branco, de soldados da Primeira Guerra Mundial. Nunca esquecerei a emoção nos olhos deles.

Ainda sobre a vida dura destes seres humanos que habitam as nossas ruas, diz-nos o britânico a propósito da sua própria experiência de dormir na rua: “A falta de um lar é uma questão muito complexa. Dormir ao relento é duro, mas sentes uma liberdade como nunca sentimos nas nossas vidas ´normais`. Não respondes perante ninguém, não há prazos, limitaste a viver. É muito viciante. Mas os sem abrigo ficam vulneráveis às drogas e ao álcool. Eles geralmente estão ali como resultado do colapso de um relacionamento ou a saída da vida militar. E estão a sofrer”.

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