Em declarações à Inforpress, a responsável pela comunicação da ONU Mulheres, em Cabo Verde, Ekivity dos Santos, informou que no âmbito da reforma do sistema de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDS) a ONU Mulheres resolveu encerar 19 escritórios e Cabo Verde é um deles.

“Uns por causa de questões de fundos, outros pela questão de `deliver´, ou seja, não estavam a responder bem as necessidades do país e outros como Cabo Verde que é um país pequeno. Temos bons resultados e os nossos indicadores são positivos, mas o encerramento tem a ver com a questão da reforma”, explicou.

O objectivo da reforma, afirmou, é reforçar a presença da agência da ONU Mulheres no terreno lá onde a sua presença seja mais crítica, em países em crise humanitária, em situação de alto risco para mulheres e meninas, dimensionando a organização para cumprir o seu mandato.

Conforme explicou, na região de África, para além de Cabo Verde, será encerada o escritório da Guiné-Bissau e todas as questões dos géneros nesta região vão passar a ser respondida pelo escritório em Dakar, no Senegal, enquanto agência não residente.

Contudo, Ekivity dos Santos afirmou que durante esses dez anos em Cabo Verde, a ONU Mulheres deu um “contributo enorme” para o avanço da igualdade de género e do empoderamento das mulheres no País.

“A ONU Mulheres acredita profundamente que a presença em Cabo Verde representou um salto qualitativo em termos da assistência prestada pelas Nações Unidas ao país em matéria de igualdade de género e contribuiu para melhorias substantivas nas políticas nacionais de empoderamento das mulheres”, afirmou.

Este programa, segundo a mesma fonte, ajudou a posicionar Cabo Verde como uma “boa referência” na região africana e um “exemplo para o mundo”.

Apesar da presença da ONU Mulheres em Cabo Verde fosse pequena, em pessoal e orçamento, de acordo com um comunicado de imprensa, foi “substancial” o seu contributo na promoção da igualdade de género e no empoderamento das mulheres no País.

O mesmo documento refere ainda que este programa “ajudou a alavancar” contribuições de outras agências das Nações Unidas, bem como de parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde na matéria.

Como ganhos alcançados na última década (2010-2020) pela presença da ONU Mulheres em Cabo Verde, destacou o combate à violência baseada no género, com a aprovação e implementação da Lei de Combate à VBG, e o contributo dado na implementação do primeiro inquérito do Usos do Tempo.

Este inquérito, sublinhou, tornou visível a sobrecarga dos trabalhos não remunerado e de cuidados exercido pelas meninas e mulheres cabo-verdianas, contribuindo para a pobreza de tempo e de rendimento das mesmas, contribuindo assim para uma inovadora Politica de Cuidados e subsequente Plano de Nacional de Acção de Cuidados.

A mesma fonte destacou ainda o apoio técnico e financeiro prestado na promoção da participação política das mulheres durante o recente processo de elaboração e plano de advocacia da Lei da Paridade junto do Parlamento e do Instituto Cabo-verdiano de Igualdade e Equidade do Género e das organizações da sociedade civil.

Processo esse que culminou com a aprovação da Lei da Paridade em Outubro de 2019.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.