Em conversa com a Inforpress, esta ativista social e professora de inglês contou que foi inspirada na sua história de vida, pois, viveu durante vários anos num relacionamento abusivo e tóxico, mas conseguiu libertar-se, por isso resolveu criar este projeto para acordar meninas e mulheres para uma vida livre de opressão, medos, baixa autoestima e livre de qualquer tipo de relacionamento abusivo de qualquer âmbito.

“Passei vários anos num relacionamento tóxico e abusivo, libertei-me e não quis ficar com as mãos atadas e resolvi com o que aprendi nos meus estudos e pesquisas criar este movimento para passar informação às mulheres”, disse.

O movimento, que surgiu através das redes sociais há cerca um mês, é constituído por 5.700 mulheres de toda parte do mundo, sendo elas estudantes, professoras, juristas, donas de casa, psicólogas, polícias, enfermeiras, médicas, advogadas, empregadas domésticas, entre outras profissões.

Neste grupo fechado, do qual só fazem parte mulheres, são tratados vários temas, desde relacionamentos, amor-próprio, relatos de vida de mulheres que estão num relacionamento abusivo e que pedem apoio para sair deste “buraco”, entre outros temas.

Saindo das redes sociais, o grupo reuniu-se pela primeira vez, no passado dia 24, no Auditório Nacional, na cidade da Praia para debater temas como “Ser ou não ser mãe eis a questão”, “Autoestima e amor-próprio” e testemunho de caso de superação.

Para Mónica Coelho, este primeiro encontro serviu para demonstrar que as “queens” (rainhas em português) estão engajadas nesta causa nobre que é livrar as mulheres de viverem uma vida com medo, com violência e com opressão.

“Este movimento é forte e serve para alertar as mulheres para saberem que não têm que estar num relacionamento abusivo, mas sim que podem estar aonde querem e que podem ser felizes num relacionamento saudável e não abusivo”, frisou.

Apesar de o grupo ter apenas um mês, esta ativista social acredita que tem conseguido atingir o seu objetivo que é levar a informação para todas as mulheres para estarem em alerta e cientes de todos os sinais.

Segundo disse, muitas mulheres não sabem que estão num relacionamento abusivo, outras sabem, mas têm medo de denunciar, por isso alerta essas mulheres para estarem cientes de alguns sinais, principalmente a violência psicológica.

“Fiquem cientes quando o companheiro tenta controlar o telemóvel, controlar as entradas e saídas, fala mal dos seus amigos e familiares para poder isolar e para que fiquem apenas os dois, humilha, diminui, chama de apelidos pejorativos, tudo isso são sinais para os quais temos de estar alerta para podermos 'despertar'”, apontou.

A mesma fonte reconheceu que não é fácil sair de um relacionamento abusivo, entretanto, apela às mulheres para quebrarem o silêncio, buscarem informação e apoio, porque só a partir do momento que estão informadas e com conhecimento da causa é que podem se libertar desse tipo de relação.

Para as que estão no início de um relacionamento abusivo, incentiva-as a impôr limites logo no primeiro sinal antes que isto as leve para o abismo.

Mónica Coelho aproveitou ainda para dizer às mulheres de que é possível viver um relacionamento saudável, longe de um manipulador e abusador.

“Temos de estar atentas. Isso que é o principal foco do movimento Wake up Queens, para estarmos atentas e ver que existe relacionamento que é capaz de matar-nos, se não é de uma forma é de outra, isto é, fisicamente ou emocionalmente”, frisou.

Através deste movimento, continuou, quer empoderar as mulheres de todas as formas, através de informação e formação na área de empreendedorismo, empoderando a sua autoestima com amor-próprio.

Esta jovem que participou no mês de abril num fórum em New York, trouxe um desafio consigo que é de alcançar o Objectivo do Desenvolvimento Sustentável número 05 “Igualdade de género”, que tem como outros itens “acabar com todas as formas de violência contra meninas e mulheres”.

“Se existe empatia, força, boas energias, boas práticas e solidariedade entre mulheres, é possível sim erradicar toda a forma de violência contra as mulheres”, sublinhou.

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