As salinas estão mesmo no sopé da cidade, à esquerda do porto, e também do aeródromo, para quem está a chegar à Ilha. É maravilhoso o imenso manto branco de sal a estender-se pela densa planície. Quando os raios de sol penetram nos lagos, produzem um reflexo intenso, que às vezes até perturba a visão. A par do Sol, o vento é sempre constante e provoca rugidos que impressionam.

Há muita vida nas Salinas. Homens e mulheres amanhecem no local para a extracção de sal. Fazem da atividade o seu ganha-pão. O trabalho de extração é árduo. Com enxadas, picaretas e pás, recolhem e enchem carrinhos de mão para depois empurra-los sobre a superfície lamacenta até chegarem às margens. Os carrinhos muitas vezes atolam-se na lama. Há o risco de algumas partes cederem. Mas eles e elas, homens e mulheres das salinas, conhecem cada palmo do terreno e sabem por onde passar e que parcelas evitar. Até nos alertam de forma simpática quando nos vêm aproximar.

Mas, a vida nas salinas vai muito além do afã da extração de sal. Dá gosto ver as inúmeras espécies de aves que passam o dia todo no local, à cata de alimentos. Umas são de penugem acastanhada, outras negras e brancas, outras cinzentas. Formam bandos e vão explorando parcelas. Depois, correm ou voam rente ao solo, poisam um pouco mais além e voltam a explorar. O ritual vai-se repetindo, criando um ciclo que parece ser eterno.

Nas margens das salinas nascem plantinhas a enfeitarem o espaço. Vê-se pardais a salpica-las, frenéticos, a procura do que comer.

É hora de regressar à cidade, mas antes, se quiser, pode dar um mergulho na Praia de Bitchi Rotcha, pa trá salitra das salinas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.