Ao ficar sem emprego durante a pandemia da covid-19, a jovem Jacira Cilene Sousa Francês aproveitou o momento para desafiar a si mesma e começar a personalizar garrafas de vidro. Assim surgia um pequeno negócio com a designação - “Artes Criativas by Jacira Francês”.

Em declarações ao SAPO, Jacira Francês, de 27 anos, que reside na Praia diz que sempre teve uma paixão pelo artesanato, mas que ao ficar com muito tempo livre surgiu a oportunidade de “colocar as mãos na massa”.

“Queria ocupar o tempo livre que tinha de sobra em casa e como sempre tive uma queda pelo artesanato e a paixão de criar coisas úteis e bonitas, resolvi customizar garrafas de vidro. Em São Vicente, fazia molduras entre outras coisas que podiam ter alguma utilidade e sempre recebia elogios da família e dos amigos que diziam que levava jeito”, conta.

À semelhança de outros empreendedores, Jacira recorreu à internet para aprender algumas técnicas. “Comecei a ver vídeos no YouTube e decidi criar algumas peças. Comecei por fazer suportes para plantas que foram bem aceites e tiveram muita procura, mas devido à escassez de alguns materiais necessários para este tipo de trabalho tive que parar, mas brevemente vou confecionar novos modelos e acredito que os meus clientes vão gostar”.

De momento, a jovem dedica-se apenas à customização das garrafas de vidro que para muitas pessoas podem ser vistas como um utensílio descartável e inútil, mas que é um objeto que pode ser reutilizado e personalizado. “É algo apaixonante e faço-o com muito amor”.

“Muitas pessoas podem ser criativas e unir o útil ao agradável com pequenas coisas, mas na cabeça de alguns é só uma garrafa de vinho e o seu lugar é no lixo”, realça a jovem que diz que as suas garrafas têm tido alguma procura principalmente pelo público feminino, que constitui a maioria dos seus clientes.

As cores das garrafas variam entre dourado, prateado, vermelho, branco, azul, verde e preto. “Utilizo uma variedade de cores e tento dar vida e cor a estas garrafas que são descartadas por muitas pessoas para transforma-las em algo bonito, útil e de luxo”.

Os preços das garrafas variam os 1000 a 1200 escudos e as mesmas podem ser encomendadas através da página do Facebook pessoal da jovem.

Apesar da ideia ter surgido em plena pandemia, as entregas nesta época têm certos desafios. “Geralmente combino com os meus clientes e faço a entrega em algum ponto específico e neste momento em que não podemos sair muito à rua é um pouco complicado, particularmente para mim porque sou uma pessoa de risco e isto limita-me muito, mas também nem todos os clientes querem sair de casa para adquirir o produto”.

Apesar de já ter recebido solicitações de outras ilhas nomeadamente do Sal, São Vicente, sua ilha natal, e da Boa Vista, a jovem ainda não está a conseguir fazer entregas fora da capital.

Jacira que é mãe solteira de um rapaz de 10 anos, diz que futuramente pretende ter o seu próprio atelier para confecionar as suas peças e consolidar o seu negócio e, quiçá, dar oportunidade para outros jovens.

“É um trabalho que gosto de fazer onde a cada dia surgem novas ideias. Estou a aperfeiçoar as minhas técnicas e isto é muito bom. No entanto, não é a profissão que escolhi, visto que o negócio não rentável o suficiente para as despesas. Quero ter o meu trabalho e dividir a minha rotina com este hobby”, salienta a jovem que reside há quatro anos na cidade da Praia.

Atualmente Jacira que está a fazer uma formação em Sistemas Fotovoltaicos no CERMI (Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial), deixa uma mensagem para os jovens que têm talento.

“Há muitos jovens com talento, mas com medo de expor as suas ideias, por isso apelo a todos que sabem fazer algo para não sentirem medo de agir e não fiquem à esperar que algo aconteça, mas sim façam acontecer, porque é com a ação que podemos aprender e aperfeiçoar. Apelo a todos que corram atrás dos seus objetivos com garra e determinação para que possam alcança-los”.

Edna da Veiga/Estagiária

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