Licenciada em Ensino da Matemática e com especialização em Estatística Computacional, Helga Correia, 42 anos, reside há 17 anos em Cabo Verde. Apesar de dar aulas desde 2001, é na fotografia que consegue expressar as emoções.

“A fotografia é o caminho que encontrei para conseguir exprimir a forma com que olho para um determinado momento. Procuro sempre transmitir emoções que dificilmente conseguiria através das palavras”, diz em entrevista ao SAPO.

Helga Correia é portuguesa e desde 2003 reside em Cabo Verde, tendo vivido já nas ilhas de São Nicolau, São Vicente, onde começou a aventurar-se na fotografia de recém-nascidos, e atualmente no Sal. “De vez em quando ainda viajo para Mindelo para atender os pedidos dos meus clientes” diz.

Sobre Cabo Verde a profissional diz que ama o país  que a acolheu de braços abertos. “Desde 2003 leciono em liceus e universidades do arquipélago. Neste momento, continuo o meu trabalho na área da Educação, como Coordenadora de Estatística e Financeira da Delegação do Ministério de Educação no Sal”, diz.

Fotografia mais do que um hobby, uma paixão

Helga Correia começou a interessar-se pela fotografia desde muito cedo. “Gostava de fotografar pessoas, coisas, lugares, (…) e quando vim para Cabo Vede, a minha paixão foi aumentando. Aqui tinha tempo para explorar este meu hobby”, conta.

Em 2008, foi mãe pela primeira vez e diz que a sua forma de estar na vida mudou por completo, tendo focado, durante os primeiros anos, apenas na maternidade.

“Aos poucos consegui ir retomando o gosto pela fotografia, mas desta vez, com um olhar diferente. Lembro-me de ter reparado numa foto lindíssima de uma mulher grávida que circulava na internet. Fui investigar quem era o autor da foto e fiquei simplesmente fascinada com o trabalho. A partir daí não consegui parar”, conta sorridente.

O fascínio pelo trabalho de Ana Brandt foi tanto que Helga resolveu entrar em contacto com a fotógrafa americana. “Consegui inscrever-me num workshop online. Fiquei muito empolgada por começar a experimentar tudo o que estava a aprender e comecei a fotografar os amigos e os seus filhos”, recorda. Diz que o feedback foi muito positivo e isso fez com que continuasse a querer aprender ainda mais.

Salienta que ser fotógrafo é um trabalho maravilhoso, mas de constante aprendizagem. “Não fiz curso profissional de fotografia e talvez esse facto tenha feito como que exija mais de mim. Estou sempre a pesquisar, a fazer cursos online, a aprender com fotógrafos que admiro. O mundo da fotografia está em constante mudança e temos que nos adaptar, aprender novas técnicas, novos olhares e novas tendências”, salienta.

Ao comparar as fotos antigas de recém-nascidos e as de hoje em dia, Helga nota uma enorme diferença. “Sinto que cresci muito como fotógrafa, melhorei as minhas técnicas e aperfeiçoei o meu olhar. Sinto que a consistência tem sido a minha maior aliada. Mas o melhor de tudo é que sei que ainda tenho muito que aprender e isso é excelente”, afirma.

E apesar de fotografar recém-nascidos não ser um trabalho fácil, a profissional garante que é maravilhoso. “Em primeiro lugar é preciso conhecer a anatomia e a fisiologia do recém-nascido e depois há que preparar um ambiente limpo e seguro. Tem que ter conhecimento de técnicas de relaxamento, conhecer as poses, posições e transições seguras e confortáveis para o bebé e além de tudo isso ainda aplicar técnicas de composição e linguagem fotográfica para que a fotografia seja perfeita”, explica.

Já para os bebés mais crescidos as particularidades são outras. “Já têm a sua personalidade bem vincada e aí as competências são outras. Há que fazer uma sessão rápida para que não se aborreçam ou não fujam dos cenários e depois arranjar formas de distraí-los. Também não é fácil, mas são as sessões mais divertidas”, diz sorridente.

Todo o processo é muito complexo e não é apenas um clique como muitos pensam. “Após o contacto com os pais, começa o processo da criatividade, que envolve a escolha das cores, dos acessórios e dos cenários (que são escolhidos pelos progenitores). De seguida, começo a montar o cenário propriamente dito, que é feito no dia anterior. A sessão realizada, para recém-nascidos, tem uma duração de 2/3 horas e para os restantes bebés 1 hora. Após a sessão, vem talvez o processo mais demorado: a edição das fotos”.

Questionada sobre qual foi a foto mais difícil que já fez, Helga diz que já teve muitas e que é difícil escolher só uma. “Mas posso, por exemplo, destacar recentemente uma sessão (straga bol) de duas bebés gémeas giríssimas e com personalidades muito distintas. Enquanto uma queria era brincar com o bolo, a outra só chorava. Não foi nada fácil, nem para mim nem para os pais que não conseguiram parar durante toda a sessão. (risos) Mas o resultado foi espetacular”.

Valorização, o maior desafio dessa área em CV

Apesar de ser uma área nova no mercado cabo-verdiano, Helga diz que a procura tem sido satisfatória e acredita que a tendência é de crescimento.

“O maior desafio está na valorização deste tipo de trabalho. É preciso que o público entenda que, sendo um tipo de fotografia que exige um maior investimento em materiais e produção, acaba por ter um preço mais elevado. E esse custo, muitas vezes, impede que haja um público maior”.

Helga Correia que dá conhecer o seu trabalho numa página na rede social Facebook assegura que o feedback dos clientes é e sempre será o retorno mais significativo do seu trabalho.

“Não há nada mais gratificante do que ver o nosso trabalho ser reconhecido e admirado pelos nossos clientes e por quem segue o nosso percurso. São eles a minha principal motivação para continuar a aprender e a fazer melhor”, afirma.

Questionada sobre como tem sido o impacto da Covid-19 na sua área de trabalho, a fotógrafo diz que foi negativo.

“Praticamente, durante 2 meses não fiz sessões fotográficas. Optei por aguardar algumas semanas até voltar de novo ao ativo. Neste momento, já começo a recuperar a rotina, mas ainda assim tenho algumas restrições, como o intervalo de tempo de pelo menos 36 horas entre as sessões, o uso obrigatório de máscara, desinfeção frequente das mãos e claro, cuidado extra na limpeza do estúdio e todo o material a ser usado. A segurança e a higiene em primeiro lugar”.

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