Natural da ilha de São Vicente, Jéssica Soares Silva é uma jovem de 27 anos que encontrou no artesanato a sua verdadeira paixão. É licenciada em Arquitetura e Urbanismo no Brasil e durante o isolamento social imposto pela Covid-19 começou a criar peças em macramé e outras peças decorativas.

A paixão pelo artesanato sempre existiu, revela Jéssica Silva. “Sempre criei coisas para utilidade pessoal e para a minha família e como sou formada em Arquitetura desenho peças para decoração da minha casa. Durante o isolamento social comecei a fazer macramé de parede e outras peças, apenas como um passatempo. Já tinha algumas peças produzidas acumuladas e comecei a mostra-las aos meus amigos e família que logo me incentivaram a expor os produtos para que outras pessoas possam conhecer e apreciar o trabalho que estava a fazer”, conta em entrevista ao SAPO.

Foi assim que Jéssica Silva criou recentemente uma página nas redes sociais intitulada “Handmade by Jess" para divulgar e dar a conhecer o seu trabalho.

“Logo que comecei a expor os produtos no Facebook e no Instagram, recebi muitas mensagens de incentivo e não estava à espera desta repercussão em pouco tempo, enfim, foi algo interessante e estou a aprimorar o meu lado criativo a cada dia”, diz a jovem que após este feedback decidiu apostar no negócio e fazer um trabalho com “mais amor, responsabilidade e dedicação”.

Para além de macramé de parede (grandes e médios), Jéssica Silva resolveu criar outras peças como suporte de plantas (de diversas formas, tamanhos e materiais) e espelhos decorativos.

Diz que teve que recorrer à internet para aperfeiçoar as técnicas e desenvolver peças interessantes e criativas. “Futuramente, penso fazer outros tipos de peças decorativas”.

Com a diversidade de peças começaram a surgir as encomendas principalmente na ilha onde reside atualmente, Santiago. “O objetivo é atingir o maior público possível e, apesar de já ter vendido algumas peças, quero que mais pessoas conheçam a minha arte e adquiram para decorar as suas casas”, diz e afirma que a maioria dos seus clientes são mulheres.

A venda dos produtos é feita online e os preços variam dos 600$00 aos 3 mil escudos.

Apesar da ideia ter surgido em plena pandemia, Jéssica Silva diz que o impacto da Covid-19 no seu negócio tem sido razoável. “Nas entregas dos produtos que requerem contacto com os clientes tenho mantido sempre todas as precauções e cuidados necessários”.

Questionada sobre como tem conciliado a sua profissão com este novo projeto, Jéssica Silva diz que tem sido normal. “Durante o dia (no horário laboral) faço os meus trabalhos de Arquitetura e depois preencho a minha rotina com este hobby, que tem gerado algum rendimento”.

Jéssica esclarece que embora seja cedo para saber o rumo que o negócio pode alcançar, não descarta a possibilidade de consolidar o projeto “Handmade by Jess”.

Em jeito de avaliação do mercado de artesanato, a jovem da ilha de Monte Cara salienta que Cabo Verde é “um país rico”. “Existem muitas pessoas com grandes potencial e criatividade, porém muita das vezes faltam-lhes o espaço, oportunidade e apoio, ou mesmo, condições para executarem da melhor forma a sua arte. Penso que devemos valorizar mais aquilo que é nosso, inclusive os trabalhos feitos manualmente. A nossa arte faz parte das nossas raízes”, conclui.

Edna da Veiga/Estagiária

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