Érica Soares é uma sonhadora. Natural do Tarrafal de Santiago, a jovem nadadora não teve como fugir às raízes. Pratica a modalidade desde pequena já que sendo filha de peixeira cresceu no mar.

“Nasci ao pé do mar, a minha mãe é peixeira, não há como não gostar da natação. Digo sempre este gosto (pelo mar) veio do ventre da minha mãe: a ligação que a minha mãe tem com o mar passou para mim”, afirma em entrevista a SAPO.
Recorda que os primeiros passos na natação foram muito difíceis e que só começou a levar a natação a sério aos 15 anos graças ao incentivo do instrutor de mergulho e ativista Emanuel Charles d'Oliveira, mais conhecido por “Monaya”, e também de alguns familiares e amigos.

Hoje com 18 anos e depois de ter terminado o 12º ano de escolaridade no Tarrafal, a atleta ambiciona agora formar-se em Educação Física e continuar a praticar a modalidade.

Oriunda de uma família com poucos recursos, Érica diz não ter condições para prosseguir com os estudos e foi por isso que resolveu fazer a maratona de 12 quilómetros, no percurso Quebra Canela - Cidade Velha, como forma de chamar a atenção das entidades para a modalidade e, quiçá, realizar o seu sonho.

“A prova foi uma chamada de atenção para que as entidades apostem em jovens capazes de dar o seu contributo por Cabo Verde. Não tenho condições para pagar as despesas da universidade, mas sei que se apostarem em mim terei muito a oferecer como uma jovem nadadora”, diz em jeito de apelo.

Érica Soares descreve a aprova de 1 de setembro como algo grandioso, contudo lamenta ainda não ter conseguido um feedback de quaisquer entidades que a possam apoiar na realização do seu sonho, apesar de salientar que muitas pessoas, a nível individual, a têm encorajado mostrando-se disponíveis para ajudar.

“Muitas pessoas querem ajudar. Tive muitos feedbacks positivos, mas até então nenhuma entidade se pronunciou”.

Depois da realização da prova, Érica afirma que a sua rotina mudou completamente. “Na rua as pessoas param para tirar fotografias. Recebo diariamente milhares de mensagens. Tem sido uma confusão mesmo, mas uma confusão boa. Estou a gostar muito deste momento que é o meu momento e estou a aproveita-lo ao máximo”, desabafa.

Daqui para a frente, a jovem atleta espera conseguir uma bolsa de estudos para o Senegal, onde almeja ganhar mais bagagem e conhecer outras realidades da modalidade. Adianta inclusive que já tem um clube interessado em recebe-la nesse país.

Caso conseguir alcançar o seu sonho, Érica Soares espera regressar com mais conhecimento ao país para transmitir aos outros jovens atletas.

Cisandra Tavares/ estagiária

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