Em maio último, Toshihiko Hosaka não se ficou pelas palavras e, socorrendo-se da sua arte, a escultura na areia, empreendeu um alerta com tanto de efémero como de gigantismo. O nipónico apresentou perante os seus conterrâneos uma escultura na areia com 50 por 35 metros. Uma mensagem em caracteres japoneses que recordava o facto dos habitantes do país do sol nascente serem os segundos maiores produtores de lixo à escala mundial.

Na mensagem que deixou lavrada na areia, o artista destacou o impacto devastador que o plástico exerce sobre a vida marinha. Anualmente, mais de oito milhões de toneladas de plástico, usado nos nossos quotidianos, acaba nos rios, mares e oceanos. Ai, permanece, degradando-se em partes menores.

Micro e nano plásticos que acabam por se tornar parte da cadeia alimentar de animais marinhos. Estima-se que perto de 700 espécies de animais, das tartarugas, às aves marinhas, peixes e mamíferos dos mares, sejam vítimas destes plásticos.

No manifesto que acompanhou o trabalho de alerta ambiental, Toshihiko salientou que “uma vez colocado no mar, o plástico leva centenas de anos para se decompor. Isto vai continuar a sobrecarregar as futuras gerações”.

A este propósito, sublinhava o artista: “Uma garrafa de plástico levará 400 anos a decompor-se. Uma rede de pesca sintética, perto de 600 anos”. E são meras estimativas a propósito da perenidade de uma matéria-prima com pouco mais de cem anos entre nós.

A obra na praia japonesa de Iioka, a norte de Tóquio, foi destacada em inúmeros meios de comunicação do país do Extremo Oriente. Uma instalação que contou com a colaboração de voluntários, entre a população e estudantes da região. Um trabalho que implicou, na sua fase de execução, 11 dias de trabalho contínuo.

Toshihiko Hosaka nasceu em 1974 e há mais de duas décadas que se apresenta como escultor na areia. Nos seus trabalhos, o nipónico não usa moldes, erigindo as suas peças apenas com areia das praias onde trabalho. A única matéria-prima a que Hosaka recorre no decorrer das suas criações é a uma cola natural de endurecimento. Esta permite ao artista fixar em altura as sua obras. Não obstante, nunca perderão o seu carácter efémero.

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