Wendy Cruz-Chan e o marido, Killian Chan, ficaram radiantes quando descobriram que iam ser pais de um bebé. Com 16 semanas, tudo indicava para que fosse um menino - o primeiro em ambas as famílias. Era a realização de um sonho.

"Só tínhamos mulheres na família. Já estávamos com tudo pronto para o nascimento. Literalmente tudo. Estava pronta para este bebé muito antes do parto", conta na primeira pessoa num relato feito à BBC.

Às 19 semanas e três dias, começou a sentir os sintomas de uma gripe. A febre surgiu entretanto e Wendy não melhorava. Procurou um hospital dias depois do início dos sintomas. Wendy acabara de entrar em trabalho de parto, tinha já dois centímetros de dilatação.

Depois de análises e observação clínica, os médicos deteram uma infeção no útero de Wendy que tinha atingido a placenta e o líquido amniótico. Não havia forma de salvar o bebé.

"Pensei logo que havia alguma coisa que pudessem fazer para salvar o Meu bebé. Estamos num mundo tão moderno, temos tantas tecnologias", recorda Wendy, que na altura não se quis conformar com a perda do feto com pouco mais de 19 semanas.

"Em vez de celebrar um nascimento, estava a preparar uma morte"

Wendy Cruz-Chan e Killian Chan tiveram de se habituar à ideia. "Organizar o funeral, comprar o caixão, decidir entre cremação ou enterro. Tivemos que pensar em tudo isto e eu ainda estava grávida, com dores e a saber que teria de dar à luz um filho que iria morrer", relata. "Em vez de celebrar um nascimento, estava a preparar uma morte", lamenta.

Deram-lhe o nome de Killian, como tinham já planeado. Uma hora depois, os médicos induziram o parto. "Chorei como nunca. Entrei em estado de choque e acabei por desmaiar", conta à estação de televisão britânica.

Quando teve alta hospitalar, Wendy começou a sentir a perda de leite que entretanto já tinha começado a produzir. "Sabia que aqui em Nova Iorque havia uma enorme procura de leite materno, então perguntei ao meu marido como é que ele se sentiria se eu o doasse. Apoiou-me logo, disse que era uma ótima ideia", explica.

Não demorou para Wendy procurar quem precisasse do seu leite através das redes sociais. "Foi incrível. Encontrei seis mães que precisavam de leite e eu continuava a produzir. Doei 58 litros", diz.

Algumas das mães não conseguem produzir leite sozinhas devido ao stress pós-parto ou por problemas médicos. "Um dos bebés que precisava do meu leite tinha um distúrbio genético de pele chamado epidermólise bolhosa (EB). O meu leite materno ajudou-o a curar as bolhas", assevera.

"Foi quase como se estes bebés se tornassem meus de alguma maneira. Agora estou a tentar acostumar os meus seios a interromper a lactação, já que continuar pode tornar-se prejudicial para a minha saúde. É mais uma perda para mim. O meu leite era tudo o que restava de Killian", afirma.

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