Com o aumento de casos de Covid-19 em Cabo Verde e com a implementação das medidas preventivas, empresários nacionais de vários ramos tiveram que se adaptar para amenizar os efeitos da crise económica ocasionadas pela pandemia. O SAPO esteve à conversa com Cindy Monteiro, Zany Moreno e Nina Almeida para saber como tem sido o impacto da pandemia na área da moda.

“Para nós foi um golpe”. É assim que a estilista Cindy Monteiro descreve o impacto do coronavírus na sua área de trabalho.

“As lojas (físicas) fecharam desde o início do mês de março e sem contar com a diminuição já da afluência por causa do vírus. As coleções foram deixadas para mais tarde, as apresentações dos desfiles foram canceladas sem previsão de uma nova data e sem contar com as perdas que isto tudo já nos causou. No entanto, tenho de dizer que tenho tido bastante sorte com os meus parceiros comerciais”, diz e afirma que está a tentar encontrar melhores soluções para a sobrevivência da empresa e da marca que é “nova e pequena”. “Podemos facilmente ser absorvidos por este fenómeno”.

Já a empresária praiense Zany Moreno, dona do ateliê “Confecções Zany”, diz que os primeiros momentos foram muito difíceis.

“Estivemos fechados durante um mês, sem qualquer rendimento, com os salários por pagar e muitos encargos. Tive que pensar numa solução para manter o negócio”.

A mindelense Nina Almeida, dona do Nina Atelier, teve que encerrar o atendimento ao público durante o Estado de Emergência, bem como criar condições para que a sua colaboradora possa trabalhar a partir de casa, para dar vazão às encomendas que já tinha assumido.

“O impacto é grande já que trabalhamos com o atendimento personalizado e a maioria das nossas encomendas são para eventos como finalistas, baptizados, casamentos, (…), por agora estão todos cancelados. Este ano, as encomendas para as quais já tínhamos adiantado os materiais foram canceladas devido à pandemia. É um grande prejuízo para um pequeno negócio”.

Máscaras, um novo acessório de moda

Faziam peças glamourosas para eventos. Agora fabricam máscaras. Tiveram que se reinventaram temporariamente para ajudar na luta contra a Covid-19 e salvar o negócio.

Com a aprovação do decreto de lei no dia 25 de abril do uso obrigatório de máscaras faciais no país, Cindy, Zany e Nina encontraram uma forma de adaptar as suas criações.

“As máscaras foram algo que surgiu como o próximo passo lógico, já que ela será parte integral do nosso quotidiano. Para a produção e segurança das nossas máscaras temos seguido todas as normas de higiene e segurança. Desde o início tomamos algumas referências do que foi aconselhado em França, e agora tivemos acesso às normas de segurança do INSP”, diz Cindy Monteiro.

As máscaras da marca da estilista são 100 por cento algodão, possuem um modelo confortável para se adaptar ao rosto e têm uma costura reforçada. “São de várias cores e combinam com as roupas”, diz e afirma que o preço das máscaras varia entre os 250$00 e os 650 escudos. “O preço depende consoante o pedido, as que são reversíveis e as que possuem ornamentos diferentes”.

Ao ver as grandes marcas europeias a produzirem máscaras comunitárias para ajudar a população, Zany Moreno logo pensou em seguir o mesmo caminho.

“Comecei a tomar providências, pois não podia produzir sem uma orientação das entidades de saúde”, diz e afirma que já produziram uma grande quantidade e nesse momento têm uma produção de 4800 unidades diárias com a possibilidade de aumentar para dar respostas às demandas das empresas e a sociedade civil.

Zany diz que a sua marca de máscaras respeita todas as normas das entidades reguladoras e da Emprofac.

“Respeitamos todas as normas, produzimos com materiais de alta qualidade em algodão, com filtro TNT e adaptador do nariz”, diz e afirma que prima pela proteção e autoestima.

Nina Almeida também está a aventurar-se na produção de máscaras com o serviço de entregas para evitar que os clientes se desloquem ao atelier.

“Neste momento estamos a estudar como adaptar o nosso serviço e apostar nas grandes encomendas de empresas, produção de uniformes escolares e pré-produção e venda online. É um mundo novo para mim, mas conto com apoio dos meus filhos nesta fase. Pretendemos recorrer aos financiamentos e incentivos anunciados às pequenas empresas”.

No que se refere às normas para garantir a eficácia deste acessório, Nina Almeida diz que foi contactada pela Emprofac que lhe forneceu todas as instruções de todos os cuidados e procedimentos para uma confeção segura.

“Trabalhamos equipados com máscaras e higienizamos e embalamos as mesmas antes da entrega, recomendamos aos clientes a lavagem e passagem a ferro antes da sua utilização. As máscaras são confecionadas com tecido apropriado e com dupla face. Tentamos primar pela segurança e conforto na sua utilização”, conclui.

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