Numa primeira fase, é constituído um grupo misto, que se propõe promover: colá, funaná, batuque, coladeira, talaia-baxu e outras expressões da dança cabo-verdiana. Entretanto, os professores saem gradualmente do grupo, que acaba por tornar-se num espaço de expressão no feminino. É o único grupo de dança tradicional do país constituído exclusivamente por mulheres, todas professoras, entre os 41 e 62 anos. Entre elas, é unânime o gosto pela dança como tradição e terapia.

“Estas senhoras gostam de dançar, chegam aqui e retiram um pouco da pressão do dia-a-dia, porque têm uma rotina stressante, a lidar com crianças. Não é um grupo profissional, mas trabalha-se com gosto”, afirma Tony, o coreógrafo do grupo desde 2004, quando sucedeu a Natal Maurício, que foi o primeiro a dirigir as 15 bailarinas. Em 17 anos de percurso, já se apresentaram nas ilhas do Barlavento e, além-fronteiras, em Portugal, França, Canárias, Áustria, Suíça e Senegal. Em todas as suas andanças, circunscreve as suas atuações a eventos de cariz social e cultural.

E como fazem para formar pares em coreografias de funaná, coladeira e talaia-baxu? “Metade veste roupas masculinas e formamos os pares, sem problemas. Estamos habituadas”, explica Arlinda Medina. Uma professora de carreira e deputada da Nação, é com naturalidade que vê o envolvimento de professoras com a cultura. “Antes de mais, somos cidadãs e levamos para a sala de aula um pouco da essência da nossa cultura. É natural no professor essa vontade e capacidade de transmitir informações sobre as nossas manifestações culturais”, afirma.

Indumentária tradicional: criações próprias Em Março, representaram a dança tradicional de Cabo Verde na Feira de Bressuire, em França. A
67ª edição do certame homenageou Cabo Verde, ao convidar cerca de 40 artistas e artesãos cabo-verdianos, entre os quais as 15 integrantes do Alma Crioula. Para a ocasião, levaram trajes desenhados por Auriza Lima, uma das bailarinas do grupo, que criou peças inspiradas na indumentária tradicional das ilhas. “Ao longo do nosso percurso, usámos roupas criadas por estilistas de São Vicente, como Matilde Gomes, Milú Torres e Teodora Neves”, afirma Arlinda Medina.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.