Os dois pólos do globo estão com seis vezes menos gelo do que tinham há três décadas. Atualmente, estes territórios perdem 500 milhões de toneladas de massa gelada por ano. Os números, preocupantes, são avançados pelos cientistas do IMBIE, um projeto científico que estuda os efeitos das alterações climáticas nestas duas regiões do planeta. Os investigadores internacionais chegaram a essa conclusão depois de compilar e de analisar os dados obtidos por 11 dos satélites que as monitorizam.

Se a situação se mantiver, dentro de 80 anos, o nível do mar irá subir mais 17 centímetros, alertam os especialistas num artigo publicado na edição impressa da revista Nature. Entre 1992 e 2017, a Gronelândia e a Antártida perderam 6,4 mil milhões de toneladas de gelo mas, com o passar dos anos, a superfície gelada que se desprende tem vindo a aumentar. Na década de 1990, os números apontavam para uma perda de 81 milhões de toneladas. Na última década, já se aproximavam dos 475 milhões.

"Na Gronelândia, assistimos a um forte aumento [do degelo] entre 2002 e 2007, em comparação com os anos anteriores. Os valores máximos foram, no entanto, registados entre 2007 e 2012. Na Antártida, mais de metade da área perdida tem-se verificado desde 2012", lamenta Mark Pattle, engenheiro da isardSAT, uma das empresas que integram o projeto IMBIE. Nas últimas décadas, devido ao degelo, o nível do mar subiu 1,78 centímetros. Um número que os analistas consideram preocupante.

"Além de um maior perigo de inundações, há também um risco de erosão costeira mais acentuado", avisa Andrew Shepherd, investigador da Universidade de Leeds, no Reino Unido, o autor do estudo agora divulgado. "Se a Gronelândia e a Antártida continuarem a ir por aquela que é a rota do pior cenário climático, provocarão uma subida extra de 17 centímetros nos oceanos, o que significa que 400 milhões de pessoas poderão estar expostas ao perigo de inundações costeiras anuais em 2100", alerta.

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