Olímpio Varela fez essas considerações em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional de Enfermagem, que se comemora hoje, 12 de maio, descreveu a situação comparando o desempenho da classe nos dias de hoje, “uma distância entre o céu e a terra”.

O enfermeiro que trabalhou na época, segundo disse, em que o hospital da Praia tinha cinco médicos para atender toda a ilha de Santiago, maio, Fogo e Brava, e que fazia o serviço de vela 24 horas sem receber nenhuma renumeração, (…) tendo de trabalhar no dia seguinte, caso fosse necessário, Olímpio Varela diz-se “espantado” hoje com os diplomas de mestre e especialistas, “mas não convencido com a humanização e tratamento”.

“Na época em que eu exercia, os médicos quando saiam do hospital à tarde, diziam: vou para casa, mas não me chateiam à noite. Por isso erámos nós os enfermeiros a fazer tudo, a tratar de tudo e logo a dar mais humanismo ao nosso trabalho”, disse.

No entanto, apesar de não sentir humanismo no trabalho que os enfermeiros de hoje prestam, admite sentir-se orgulhoso por ter lutado antigamente pela libertação de Cabo Verde, já que, sublinha, nesta época não podiam ir além do curso de enfermagem, quando tem hoje conhecimento de que já existem mestres e especializados em enfermagem.

No que tange à humanização no trabalho prestado pelos enfermeiros, Olímpio Varela afirma se tratar de algo que já presenciou e que até já sofreu na pele enquanto profissional da casa.

“Este tipo de atitude me deixa triste, pois, acredito que a enfermagem deveria ser uma profissão por vocação e não por dinheiro”, ajuntou.

Neste particular, este veterano é de opinião que hoje, dotados de mestrados e especializações, o enfermeiro deveria ter um cuidado mais “humanizado” para com os doentes, pois, no seu entender, o sentimento mais necessário e indispensável para uma boa recuperação do paciente já não existe.

“Quando comecei a trabalhar a minha mãe me disse assim: nunca diga não se poderes dizer sim. Se tiveres de dizer não, então coloque manteiga”, enfatizou lembrando ainda os tempos em que exercia a profissão para dar todo o conforto ao doente.

Por isso, em mais um Dia Internacional da Enfermagem, apela aos mais novos para uma maior humanização, atenção e amizade para com os doentes.

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