Depois de visitar Cabo Verde em família e se apaixonar “pela cultura, música, modo de vida e paisagem incrivelmente variada das ilhas”, o casal Jerome e Kenya Cretegny escolheu o arquipélago para desenvolver um projeto de bebidas destiladas, nomeadamente o grogue, produzidas em Cabo Verde.
“Somos entusiastas do rum desde há muitos anos e viajamos pelo mundo descobrindo fabricantes que usam métodos de produção tradicionais e modernos”, conta Jerome Cretegny ao SAPO
Em Cabo Verde, o casal apercebeu-se que “havia uma oportunidade para promover ainda mais a rica tradição da produção de grogue local, misturando a sua mentalidade criativa com a introdução de métodos de produção inovadores.”
Assim surgia a ideia de criar a marca “Mestres das Ribeiras”, que “é uma homenagem aos Mestres Alambiqueiros que são os guardiões da bela tradição de fazer Grogue” e “aos vales verdejantes de Santo Antão, onde a cana-de-açúcar é cultivada com paixão”.
Já as garrafas da marca têm um design “inspirado nas casas coloniais que pontilham as ilhas de Santo Antão e São Vicente, selos antigos e máquinas de prensagem de cana-de-açúcar”.
No final de 2016, o casal montou um laboratório em Porto Novo, onde atualmente destilam, envelhecem e fazem o engarrafamento dos seus produtos.
Este foi também um momento de descoberta para o casal que percorreu as Ribeiras de Santo Antão, à procura de produtores locais com os melhores grogues.
Produtos em carteira
Segundo explica Jerome Cretegny, o projeto procurar “combinar antigas tradições com técnicas modernas de destilação”, sempre primando pela qualidade.
Entre os produtos comercializados pela marca surgem duas variedades de grogue e um gin fabricado em Cabo Verde, todos “produzidos com calda de cana-de-açúcar 100% fermentada de Santo Antão e duplamente destilados no laboratório em Porto Novo”.
As primeiras garrafas de Mestres Grogue Branco foram dadas a conhecer ao público durante o Carnaval, na cidade de Mindelo, em 2017.
O promotor explica que este é “um grogue duplo destilado e refinado” e que tem a preocupação de preservar a arte dos produtores locais.
Já o Grogue Velha “tem vindo a envelhecer em barris antigos que anteriormente continham vinho do Porto (de 200 litros)”. Segundo explica, este processo “permite que o sabor da madeira dos barris de madeira seja infundido no Grogue, dando-lhe um sabor único de caramelo, café e canela, com uma rica cor (âmbar) semelhante ao rum das Caraíbas ou da América Latina”. Tendo em conta o processo de envelhecimento esta bebida é produzida em quantidades limitadas, assegura.
A mais recente conquista da marca foi a produção de um gin original fabricado em Cabo Verde — ‘Gin D'ilha’. A mesma fonte adianta que a bebida tem “uma base de Mestres Grogue, com uma mistura secreta de plantas e especiarias, zimbro e ervas locais da ilha de Santo Antão”.
Tanto o gin, como o Grogue Velha, foram apresentados em dezembro passado, no Centro Cultural do Mindelo, em São Vicente.
As bebidas são para já comercializadas em três cidades do país: Porto Novo (Santo Antão), em Mindelo (São Vicente) e na Praia (Santiago). Os mentores deste projeto revelam que desejam expandir para outras ilhas bem como exportarem para outros mercados.
Jerome revela que investir em Cabo Verde tem sido relativamente fácil, desde se “tenha um pouco de paciência para completar todas as etapas administrativas”.
“Ficamos agradavelmente surpresos como as pessoas foram acolhedora e prestativa durante todo o processo de iniciar e desenvolver o nosso negócio”.
Entre as dificuldades enfrentadas pelos produtores apontam o transporte interilhas e a exportação e que o maior desafio enfrentado tem sido justamente esse: transportar mercadorias entre as ilhas e exportar.
“É muito difícil exportar apenas uma palete ou duas, e torna-se caro ao adicionar custos de transporte”, lamenta.
Entusiastas do rum
Jerome Cretegny, de nacionalidade suíça, é um gestor financeiro que trabalhou na América Latina e em Londres, antes de se mudar para o grupo do Banco Mundial, na África Ocidental. Diz ser um aficionado do rum e estudou a história, arte e processo de destilação nos EUA, Cabo Verde e Brasil. O seu passatempo preferido é visitar destilarias quando viaja.
Já Kenya Cretegny, nacional dos EUA e do Reino Unido, é antiga modelo e empreendedora que trabalhou na direção de diferentes empresas retalhistas em Londres. Depois de se mudar para o Senegal, onde trabalhou como consultora freelancer, criou uma marca de roupa feminina. Também estudou a arte de envelhecer e misturar bebidas espirituosas no Brasil.
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