Intitula-se Kriola’s Professional Association (KPA) e surgiu em fevereiro de 2019 por iniciativa de uma jovem da ilha do Fogo, Tamara Tavares, com o apoio de outras quatro cabo-verdianas, com percursos semelhantes, também elas radicadas nos EUA.

Sob o lema “No woman is an island” (“Nenhuma mulher é uma ilha”, em tradução livre), quiseram unir e interligar as mulheres cabo-verdianas na América para lhes dar oportunidade de crescer profissionalmente.

“As associações profissionais são muito comuns na América”, explica em entrevista ao SAPO Chantal Barbosa, cofundadora desta associação sem fins lucrativos, e acrescenta que a KPA tem explicado às cabo-verdianas as vantagens de pertencer a uma associação deste género.

Quase a completar um ano de existência, a KPA conta hoje 33 associadas, 16 das quais estão na liderança da associação, todas elas cabo-verdianas, entre estudantes universitárias a mulheres com vários anos de experiência no mercado de trabalho.

Tendo por base três princípios: interligar (ajudar a estabelecer um networking), elevar (incentivar as mulheres a investir em si mesmas) e retribuir (vertente social), a associação atua principalmente nas áreas de Boston e Rhode Island, onde procuram mais associadas.

O primeiro objetivo a alcançar foi unir as mulheres crioulas. “Estávamos tão dispersas que não reparamos que estando unidas conseguimos ensinar-nos mutuamente a aproveitar melhor os recursos disponíveis (nos EUA)”.

Já reunidas, as mulheres começaram a identificar pontos em comum nos seus postos de trabalho. “Como qualquer mulher que não é branca nos EUA, temos a discriminação por ser ‘de cor’, mas também por ser mulher, por ser mãe, que não acreditamos que seja sequer um problema já que as nossas associadas conseguem conciliar muito bem as várias facetas, e a questão da saúde mental”.

Sobre este último aspeto, a responsável pelo pelouro de Programação explica que como dentro da comunidade onde estão inseridas nos EUA as pessoas acabam por trabalhar 50 a 60 horas semanais e negligenciam a questão da saúde, principalmente a mental, assuntos como a depressão são quase que tabu. Daí que a associação promoveu um workshop sobre o tema com uma psicóloga cabo-verdiana que foi “muito bem elogiado pelo público”.

A valorização pessoal e profissional é outra questão trabalhada pela KPA. “Não é só colocar o currículo online nos websites de emprego, tens de ir aos eventos e atividades profissionais. Tens de sair da tua zona de conforto, principalmente nos EUA onde a concorrência é enorme”.

Paralelamente, no âmbito da missão social, em dezembro último, a associação fez a sua primeira parceria social no arquipélago onde optou por apoiar a associação cabo-verdiana Verdefam, mais concretamente pessoas e famílias afetadas pelo VIH.

Ainda em dezembro, aconteceu a primeira apresentação pública da KPA em Cabo Verde, na cidade da Praia (ver foto). A associação quer ter uma representante no país, apesar de para já não aceitar associadas sem ser dos EUA, onde a organização está formalmente constituída.

KPA

Chantal Barbosa avança que a associação tem procurado estabelecer parcerias com negócios locais de cabo-verdianos nos EUA de modo a divulgar estas empresas junto das associadas para que estas tenham acesso aos seus serviços.

A maioria dos eventos promovidos pela associação, foram realizados nove até então, é aberta a público, mas são também promovidos eventos exclusivos para as associadas.

As quotas para ser membro da KPA variam dos 60 aos 250 dólares anuais (pacote premium), conforme disponibilidade da pessoa, sendo que para as estudantes universitárias a quota é a menor, por exemplo.

Este ano, a representante da KPA avança que vão reabrir as inscrições online para as associadas nos EUA, que estavam suspensas, e não excluem a hipótese de expandir para a diáspora na Europa.

O primeiro aniversário da KPA, a 16 de fevereiro, vai ser assinalado com um brunch.

Programa de Mentoria

Até 2021, a KPA pretende lançar um programa de mentoria nos EUA. Contudo, antes de avançar com o projeto, Chantal Barbosa explica que a KPA pretende fazer mais pesquisa, nomeadamente, ‘focus groups’ nos centros de juventude locais para entender que tipo de mentoria é a mais adequada para os jovens em causa.

Outro ponto identificado é a necessidade de alargar o número de associadas para terem mentoras mais diversificadas com formações e experiências de carreira em várias áreas.

Paralelamente, a KPA criou em novembro de 2019 a sua primeira associação universitária na universidade de Massachusetts no campus de Amherst. Para Chantal Barbosa, a partir de agora vai ser possível canalizar mais associadas para a associação começando pelas bases.

 

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