O cérebro dos homens é cerca de 9% maior do que o das mulheres, o que não significa que a inteligência destas seja inferior, uma vez que o número de células cerebrais é exatamente igual. Mas, está mais do que comprovado, existem diferenças cerebrais entre os sexos. Segundo Louann Brizendine, fundadora da Clínica de Comportamento e Hormonas para Mulheres e Adolescentes, eles têm razões para invejar o delas.

"As mulheres são muito melhores a ler emoções e a verbalizar aquilo que sentem do que os homens", assegura a especialista, que também tem trabalhado como investigadora e docente universitária ao longo da carreira. A base das diferenças existentes entre o cérebro feminino e masculino pode residir na biologia, "nomeadamente nas especificidades hormonais inerentes a cada sexo", afirma ainda a neuropsiquiatra.

"Quando o cérebro do bebé se forma é, à partida, um cérebro feminino-tipo", começa por explicar. "Só quando os minúsculos testículos do feto masculino [por volta das oito semanas] começam a produzir quantidades elevadas de testosterona é que os circuitos cerebrais se transformam em circuitos cerebrais masculinos", esclarece ainda Louann Brizendine, 66 anos, cientista da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Estilo de vida pró-cérebro

Sendo um órgão complexo e em constante evolução, o cérebro tem de ser acarinhado desde os primeiros tempos de vida para que consiga dar o seu melhor ao longo das diferentes fases da vida, como defendem inúmeros estudos. Um ambiente estimulante, uma alimentação adequada, a prática de exercício físico e relações afetivas satisfatórias com familiares e amigos são algumas das peças essenciais.

Por isso, trate-se de um cérebro feminino ou masculino, de criança ou de adulto, manter hábitos saudáveis e que estimulem a atividade cerebral é essencial. Outro aspeto que tem vindo a ser estudado é a importância do otimismo para a saúde e para a mente. Diversos estudos científicos comparativos concluíram que os optimistas parecem ter uma maior imunidade às doenças e viverem mais anos que os pessimistas.

Independentemente das várias conclusões apresentadas, sabe-se que, em termos cerebrais, os pensamentos positivos e orientados para o futuro ajudam a controlar os níveis de stresse e de ansiedade. É que, sejam induzidos por fontes externas ou pelos nossos próprios pensamentos, o stresse e a ansiedade matam neurónios e impedem que nasçam outros, limitando a nossa capacidade cerebral. E isso não queremos!

Sexo, emoções e pormenores

Apesar de eles terem o cérebro maior, não são maiores em tudo. "Nas áreas cerebrais destinadas à fala e à audição, as mulheres dispõem de mais 11% de neurónios que os homens", escreveu no livro "O cérebro feminino", Louann Brizendine, publicado em Portugal pela Alêtheia Editores. "O hipocampo, que é o centro principal da emoção e da formação da memória, também é maior no cérebro feminino", sublinha.

As diferenças não se ficam por aqui. "O mesmo acontecendo com o circuito adstrito à linguagem e à observação das emoções alheias", sustenta a especialista. "Isto significa que, em média, as mulheres são melhores a expressar emoções e a recordar os pormenores de acontecimentos emotivos", explica ainda. "Em contraste com isto, os homens têm um volume cerebral duas vezes e meia maior no que respeita ao apetite sexual, assim como também é maior o espaço dos centros destinados à ação e à agressividade", sublinha.

"Em média, um cérebro masculino confronta-se a cada 52 segundos com um pensamento de índole sexual, o que na mulher ocorre apenas uma vez por dia ou, talvez, três ou quatro vezes, num dia de especial excitação", acrescenta ainda a especialista. "Paradoxalmente, a excitação feminina tende a iniciar-se e a começar a manifestar-se numa fase em que o cérebro está desligado", assegura ainda.

Cérebro em alta

Estas são as nove regras que, segundo a neuropsiquiatra norte-americana Louann Brizendine, deve seguir para despertar o Einstein que há em si:

1. Tenha uma alimentação diversificada, pobre em gorduras e não esteja em jejum mais de três horas, fazendo pequenos lanches entre as refeições. Prefira a fruta, vegetais (ricos em vitaminas e minerais) e peixes de água fria como o salmão, sardinha, cavala ou atum, pois estes possuem ácidos gordos essenciais como os ómega-3, favoráveis ao funcionamento do cérebro.

2. Faça exercício físico regularmente, de preferência aeróbico e de intensidade moderada. Ande a pé sempre que possa.

3. Treine o pensamento positivo e foque-se no futuro, utilizando os erros que cometeu como uma forma de aprendizagem.

4. Viaje e explore o que a rodeia. A curiosidade alimenta o cérebro.

5. Mantenha relações familiares e de amizade estimulantes.

6. Durma um número de horas suficiente.

7. Não fume nem consuma bebidas alcoólicas em excesso. Prefira o chá ao café.

8. Continue a aprender. O cérebro está sempre em desenvolvimento.

9. Divirta-se! Ria-se, ouça música, dance, vá, por exemplo, ao cinema, ao teatro e/ou a concertos, atividades que o relaxam mas com as quais, simultâneamente, também se pode distrair, aprender e até desafiar.

Texto: Teresa d'Ornellas com Louann Brizendine (neuropsiquiatra)

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