Em declarações à Inforpress, Nilson Mendes afirmou que o ciclo, geralmente, começa com a humilhação e desclassificação da mulher.

“E pode progredir para a violência física. O homem que agrediu uma vez, a chance de voltar a ter um comportamento violento é grande”, acrescentou, adiantando que “a violência contra a mulher tem uma expressão preocupante para o país”.

Segundo disse aquele especialista, em quase todos os casos de feminicídio o homem faz ameaças prévias.

“Não é um crime que vem do nada, ele se constrói ao longo do tempo. O que ocorre é uma intensificação de violência, que nem sempre é impedida a tempo”, afirmou este psicólogo, para quem “o feminicídio é um crime de género, motivado pelo machismo e por uma sensação de posse”.

Por isso, defendeu Nilson Mendes que é “fundamental” para a saída da situação que a mulher tenha consciência da vitimização o mais precoce possível.

Questionado acerca do que leva um homem a cometer feminicídio, Nilson Mendes defendeu que é preciso analisar muitos factores.

“Primeiro, são, geralmente, homens dominadores que, em muitos casos, apresentam problemas psiquiátricos, com a perturbação de personalidade anti-social, também conhecido como psicopatia ou sociopatia. Neste caso, não têm capacidade de empatia e não conseguem considerar os sentimentos da outra pessoa. A frieza é uma característica desta perturbação. Mas é preciso analisar cada caso, para saber se, de fato, se trata de um problema psiquiátrico”, completou.

Por outro lado, Nilson Mendes defendeu ser necessário “um olhar mais cuidadoso e atento” das autoridades governamentais, assim como a prioridade da efectivação de políticas públicas para as mulheres, visando minimizar o crescimento das estatísticas, uma vez que esse tipo de violência estrutural é não apenas individual ou patológica, pois o que move esse ódio é acima de tudo a manutenção da dominação machista.

De acordo com o psicólogo, o homicídio é “principalmente um problema de homens”, e se se reparar nas estatísticas dos agressores, disse, a maioria deles são menores de 40 anos, e em “muitos dos casos” os agressores “podem actuar sob o efeito de álcool e outras drogas”.

“É fundamental ter um olhar mais crítico connosco, ser mais resilientes, compreender o outro, acima de tudo respeitar a opinião ou decisão do outro, para que possamos desenvolver uma nova atitude perante uma sociedade sem marca”, disse.

Refira-se que ultimamente o país tem registado vários casos de homens que matam suas ex-companheiras. O último caso aconteceu no domingo, 16, em que um homem matou a ex-companheira e cometeu suicídio ao pular de um prédio, em Achada Grande Frente, Cidade da Praia.

Ainda na semana passada um indivíduo matou a ex-companheira à facada na localidade de Alto São João, ilha do Sal, e tentou suicidar-se logo de seguida, atirando-se contra uma viatura, cuja tentativa resultou no ferimento de uma perna.